Raúl Castro põe fim à igualdade salarial em Cuba

A partir de agosto, trabalhadores cubanos serão pagos de acordo com o que produzem

Agências internacionais,

11 de junho de 2008 | 15h52

O governo do presidente cubano Raúl Castro deu um prazo até o fim de agosto para que todas as empresas cubanas comecem a pagar seus funcionários de acordo com o que produzem, colocando fim no igualitarismo salarial que estava em vigor na ilha há décadas, informou o jornal oficial Granma nesta quarta-feira, 11.  Veja também:Depois do Brasil, Cuba autoriza cirurgias de troca de sexoRaúl Castro completa 77 anos em meio a esperança em Cuba "Em geral, existia uma tendência de que todos recebessem o mesmo. Esse igualitarismo não é conveniente", disse o vice-ministro do Trabalho e Segurança Social Carlos Mateu Pereira, ao diário do Partido Comunista cubano. A medida responde à política do governo de Castro de implantar um sistema de pagamento proporcional aos resultados, sem limite salarial. A intenção é que a medida favoreça os índices de produtividade no país e a eficiência empresarial. O salário será pago de acordo com o rendimento e qualidade - no caso dos serviços. Pereira declarou que "às vezes há muito paternalismo" no pagamento igualitário de todos os trabalhadores, e acrescentou que com a "correta implementação" da nova medida "se cumprirá o princípio socialista de distribuição, onde cada um é pago por quantidade e qualidade."  Em 2007, Raúl impulsionou uma reordenação empresarial para estender a aplicação das fórmulas salariais do modelo de "aperfeiçoamento". Este sistema de gestão - que introduz os critérios de qualidade e rigor no manejo de contas, capital humano, inovação e outros elementos - foi estabelecido há 20 anos nas Forças Armadas de Cuba, e então foi estendido a algumas companhias fora do âmbito militar. O Granma lembra nesta quarta que o novo "Regulamento Geral sobre as Forças e Sistemas de Pagamento", aprovado neste ano pelo Ministério do Trabalho cubano, estabelece que os trabalhadores vinculados a produção de bens e serviços "não têm limite salarial." O objetivo da resolução "é uniformizar a política salarial entre as empresas no aperfeiçoamento empresarial e as que ainda não estão no processo" e proporcionar "uma ferramenta que ajude a obter melhores resultados na produção e nos serviços", completa o jornal cubano. Nesta semana, o vice-presidente de Cuba, José Ramón Machado Ventura, pediu em uma assembléia do Partido Comunista que seja evitado o medo aos "altos salários e que sua experiência seja aplicada onde for possível, sempre que seja traduzida em resultados concretos."  Raúl Castro, presidente da ilha desde fevereiro, insistiu no aumento dos salários, cuja média mensal é de 408 pesos cubanos (equivalente a cerca de R$ 27).

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