Raúl Castro propôs 'telefone vermelho' com os EUA, diz WikiLeaks

O presidente de Cuba, Raúl Castro, manifestou ao ex-chanceler espanhol Miguel Ángel Moratinos o desejo de estabelecer um "canal secreto de comunicações" com os Estados Unidos, segundo um documento diplomático dos EUA revelado pelo site WikiLeaks e publicado pelo jornal El País.

TERESA LARRAZ, REUTERS

17 de dezembro de 2010 | 20h42

Raúl expressou essa ideia num encontro realizado em outubro de 2009 em Cuba, segundo relato feito por Moratinos à secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, em dezembro do ano passado, e reproduzido na comunicação diplomática - parte de um lote de mais de 250 mil documentos, cujo vazamento irritou o governo norte-americano.

O texto, datado de 18 de dezembro de 2009, cita também a sugestão de Moratinos de que o assunto fosse tratado pelo primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e pelo presidente dos EUA, Barack Obama, num encontro que teriam logo mais.

Cuba e Estados Unidos, inimigos ideológicos, não têm um canal direto de comunicações, já que romperam relações diplomáticas depois da Revolução Cubana de 1959.

Outro despacho oficial norte-americano de dias antes - enviado pela Seção de Interesses dos EUA em Havana, uma espécie de embaixada na ausência de relações oficiais - citou um encontro entre o embaixador espanhol em Cuba, Manuel Cacho, e um conselheiro político norte-americano, em que Cacho fala de um "canal político com a Casa Branca".

"Só por meio desse 'canal político' poderia o GOC (governo de Cuba, na sigla em inglês) dar passos importantes para atender às preocupações norte-americanas", disseram os cubanos, segundo relato de Cacho, embora o comunicado destaque que o diplomata não esteve no encontro entre Moratinos e Raúl Castro.

Em resposta, o conselheiro norte-americano apresentou uma lista de situações específicas em que os Estados Unidos estiveram em contato com o governo cubano e feito avanços.

Paralelamente, citou outras, como a oferta para suspender as restrições de viagem às respectivas Seções de Interesse, que dependem de ações concretas por parte de Havana.

"O GOC deveria se relacionar seriamente por meio dos canais existentes", acrescentou.

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