Raúl pede troca de cubanos presos nos EUA por dissidentes

Ao lado de Lula, presidente cubano pede 'gestos' para diálogo com EUA após a posse de Barack Obama

Associated Press,

18 de dezembro de 2008 | 16h55

O presidente cubano, Raúl Castro, propôs nesta quinta-feira, 18, a troca dos chamados "cinco heróis" de seu pais, detidos nos Estados Unidos, por dissidentes presos na ilha. O governante fez as declarações depois de uma reunião em Brasília com Luiz Inácio Lula da Silva. Raúl afirmou que os Estados Unidos e Cuba precisam fazer "gestos", que podem incluir a libertação de prisioneiros para abrir caminho ao diálogo entre ele e o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.   Veja também: Embargo não tem base política e ética, diz Lula Raúl Castro é recebido por Lula e critica europeus América Latina e Caribe criarão órgão sem os EUA   "Vamos fazer gesto por gesto", disse Raúl Castro a jornalistas durante visita oficial a Brasília. "Estes prisioneiros que falam - eles querem que nós os deixemos ir? Nós vamos enviá-los com suas famílias e todas as coisas. Devolvam-nos nossos cinco heróis. Isso é um gesto de ambos os lados", disse o presidente, referindo-se aos cinco espiões cubanos presos nos Estados Unidos em 1998.   Cuba mantém uma campanha de denúncia contra a detenção dos cinco, acusados de serem agentes do governo da ilha para se infiltrar no movimento anticastrista nos EUA, assinalando que se tratam de prisioneiros políticos. Questionado sobre a questão do embargo econômico americano, Raúl afirmou que não há nenhuma urgência em levantá-lo porque seu país já viveu quase 50 anos com esta sanção, mas reiterou sua disposição em tratar do tema com Obama assim que ele assumir o cargo, em janeiro.   "Estamos dispostos a fala com o senhor Obama onde seja e quando ele decidir, onde seja e quando ele decidir, mas em absoluta igualdade de condições, sem mais a mínima ameaça à nossa soberania". Lula, por sua parte, coincidiu em afirmar que "Cuba não tem que fazer gesto nenhum, quem tem que fazer um gesto são os Estados Unidos, que fizeram o gesto de bloquear" a ilha.   Em seu discurso de boas-vindas a Raúl, Lula afirmou que o Brasil "vai se empenhar com os outros países para que seja revogado o ato de suspensão de Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA)", adotado em 1962. Ele explicou ainda que pretende que o organismo realize uma "reparação histórica" ao voltar atrás do acordo de suspensão de Cuba do grupo.

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