Rebelde colombiana pede que guerrilheiros das Farc se rendam

'Karina', ex-guerrilheira que se entregou no domingo, pede para rebeldes aderirem ao programa de reinserção

Efe,

19 de maio de 2008 | 19h36

A guerrilheira colombiana "Karina", a mulher de maior hierarquia atualmente dentro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e acusada de matar, há 25 anos, o pai do agora presidente do país, Álvaro Uribe, pediu nesta segunda-feira, 19, aos rebeldes do grupo para aderir ao programa de reinserção do governo.   Veja também: Desertora diz que guerrilhas das Farc estão 'rachando' Líder guerrilheira nega envolvimento na morte do pai de Uribe Líder guerrilheira das Farc negociou rendição com a Colômbia  Líder guerrilheira se entrega na Colômbia Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região     A insurgente, cujo verdadeiro nome é Nelly Ávila Moreno, se entregou domingo às autoridades nas montanhas do departamento de Antioquia (noroeste) e, nesta segunda, foi apresentada à imprensa em um quartel de Medellín, capital da região.   As autoridades colombianas consideraram a rendição da rebelde outro golpe "contundente" contra as Farc, que, segundo a própria Karina, estão "divididas."   A guerrilheira se entregou no domingo junto com seu companheiro, identificado como "Michín", depois de concordar com o Departamento Administrativo de Segurança (DAS, inteligência estatal) que lançaria sinais de fumaça para que um helicóptero a resgatasse. Ela levava junto a si uma filha pequena.   "Karina admitiu que estava cercada e que, por isso, não teve mais saída além de se render", indicaram as autoridades. No entanto, a guerrilheira afirmou que não é responsável pela maioria dos crimes de que é acusada e não dirigia a frente 47 das Farc há dois anos.   "Acusam-me de muitas coisas das quais não fui autora nem material nem intelectual", expressou a combatente, acrescentando que também a "tacharam de mulher violenta".   "A mensagem que envio ao povo colombiano é de que é preciso fazer algo pela paz da Colômbia e esta é a razão da minha desmobilização", afirmou Karina, que teme por sua família, pois o que ela fez "é considerado nas Farc uma traição."   A detenção da rebelde era um desejo do presidente Uribe, que há cinco anos advertiu os comandantes militares de que a captura de Karina era prioridade. "Há uma senhora das Farc, chamada 'Karina', no leste de Caldas, que deve ser capturada", disse o presidente.   Afirma-se que ela foi a pessoa que assassinou, em 1983, o empresário Alberto Uribe Sierra, pai do presidente Uribe, em uma tentativa de seqüestro realizada em uma das propriedades da família em Antioquia.   A frente 47 atuou durante a última década nos departamentos de Antioquia e Caldas, na rica zona cafeeira do oeste do país, e foi completamente dizimada, segundo as autoridades.   Por isso, o governo colombiano ofereceu uma recompensa de US$ 1 milhão por Karina, integrante do grupo há 24 anos, onde também era conhecida como "Janet Mosquera Rentería" e a mulher com mais poder dentro dessa guerrilha.   Karina, morena e de cabelo curto, usa óculos que lhe dão um ar intelectual, mas corre a lenda que o objeto seria para disfarçar um ferimento no olho sofrido em um ataque a uma cidade de Antioquia em 1998.   A insurgente tem pelo menos seis ordens de prisão por homicídio, terrorismo, rebelião, seqüestro e dano ao bem alheio.   A diretora do DAS, María do Pilar Hurtado, disse que Karina se entregou após "uma ação de inteligência pura", que incluiu um acompanhamento de dois anos a seus parentes e fornecedores de mantimentos, até pegá-la.   Operação de captura   Enquanto isso, o general Mario Montoya, comandante do Exército, afirmou que foi uma operação "arrojada sob todos os pontos de vista". Montoya disse que este ano foram tirados de combate 87 integrantes da frente 47, de um total de 1.181 rebeldes das Farc que aderiram ao programa de reinserção.   "O que fez Karina é o caminho que todos devem tomar", destacou. A facção da guerrilheira, que, em seus melhores tempos, teve 300 combatentes, ficou reduzida a menos de 50.   Acredita-se que a frente 47, criada em 1995 e responsável por ataques a povoações e seqüestros de fazendeiros da região cafeeira, estava quase dissolvida em março, quando "Ivan Ríos", um dos membros da cúpula das Farc que tentava recompor a frente, foi morto por seus guarda-costas para obter a recompensa oferecida pelo governo.   A guerrilheira também negou conhecer o destino do ex-congressista Óscar Tulio Lizcano, seqüestrado em agosto de 2000 pela frente 47 em Caldas e um dos 40 políticos, soldados e policiais que a guerrilha deseja trocar por 500 rebeldes presos.   A rendição de Karina se juntou a outros golpes desferidos contra as Farc nos últimos meses. O mais grave foi a morte do "número dois" Luis Edgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes", em um bombardeio a um acampamento ilegal das Farc em território equatoriano em 1º de março, em uma operação na qual morreram outras 25 pessoas.  

Tudo o que sabemos sobre:
FarcColômbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.