Rebelde que matou líder das Farc diz que espera recompensa

Pagamento pela morte de Ivan Ríos provoca impasse entre incentivo do homicídio e credibilidade do governo

Agências internacionais,

10 de março de 2008 | 14h50

O rebelde que matou Ivan Ríos, um dos líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse que espera receber uma grande recompensa oferecida pelo governo colombiano para informações sobre comandantes dos insurgentes, enquanto advogados e juristas discutem se ele deve ou não cobrar a quantia.  VEJA TAMBÉM Ministro defende ligação da Colômbia com as FarcPor dentro das Farc Entenda a crise na América Latina  Histórico dos conflitos armados na região  O guerrilheiro conhecido como Iván Ríos, de 46 anos, era o mais jovem dos sete integrantes do secretariado da guerrilha e um dos mais próximos ao seu porta-voz, Raúl Reyes, que morreu há cerca de uma semana em território equatoriano. De acordo com autoridades colombianas, Pablo Montoya, conhecido como Rojas, também estaria interessado na recompensa de US$ 5 milhões oferecida pelo governo americano para quem fornecesse informações sobre Ríos. Ele teria entregado às autoridades da região uma mão do comandante, sua cédula de identidade, passaporte e computador pessoal.  Segundo o governo, o rebelde afirmou que tomou a decisão de matar o seu chefe porque queria aliviar a pressão a que as tropas das Farc estava submetidas, supostamente cercados, se provisões e incomunicáveis por conta de operações do Exército na região. Em uma entrevista ao jornal colombiano El Tiempo, Rojas afirmou que acredita que receberá a recompensa, porque essa é uma "política do Estado".  Advogados e juristas consultados pela Associated Press indicaram que o governo enfrenta um dilema ao pagar pela recompensa oferecida pela polícia e o Ministério da Defesa. Isso porque se ela foi paga, "se viola um estado de direito [já que a morte é considerada um homicídio] e se não for paga, acaba com o prestígio da recompensa", indicou León Valencia, analista político e ex-rebelde do movimento pacífico 19 de Abril (M-19). Analistas apontam que o governo pode encontrar uma fórmula intermediária para julgar Rojas pelo crime, cuja pena é de 13 anos de prisão, e pague a recompensa. Alfonso Gómez Méndez, que foi procurador-geral no final dos anos 1990, afirmou que existe no país um ambiente de que "tudo se justifica para acabar com as Farc, que pode-se sacrificar alguém por uma mão direita". "Porém, a recompensa é por informações", disse Gómez. "Não é um pagamento ao estilo do velho oeste para que alguém seja entregue vivo ou morto". "Se a pessoa cumpre, deve-se pagar, o Estado não pode decidir que não, não é uma questão de que alguns casos se pague e em outros não... Porém o caso não é simples, tem arestas políticas, jurídicas e éticas", disse Eduardo Carreño, diretor de um grupo não governamental de advogados. "O problema é a recompensa por informação e aqui se cometeu um homicídio porque esta é uma política para a guerra, não para a paz". Em um país em que não existe pena de morte, "remunerar a morte de uma pessoa é algo muito complexo desde o ponto de vista ético, mas também coloca o Estado num dilema se a quantia não for paga, como um governo que não cumpre promessas", afirma o advogado Miguel Garzón, da Universidade dos Andes. Visto como uma liderança das Farc relativamente moderada, Ríos teve um grande protagonismo durante as negociações de paz em San Vicente de Caguán, durante o governo do presidente Andrés Pastrana (1998-2002). A polícia diz que sua verdadeira identidade é José Juvenal Velendia, mas a Promotoria colombiana e o Departamento de Justiça dos EUA o identificam como Manuel Muñoz Ortiz. A morte de Ríos é mais um duro golpe para a guerrilha. Até a sexta-feira passada, as forças de segurança colombianas nunca haviam conseguido matar ou capturar nenhum membro da cúpula das Farc - o chamado secretariado, formado por sete guerrilheiros.  (Com Ruth Costas, de O Estado de S. Paulo)

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