Rebeldes das Farc pedem cessar-fogo ao governo colombiano

A guerrilha colombiana Farc disse na quinta-feira que vai propor um cessar-fogo bilateral a partir do mês que vem, quando começa um novo processo de paz com o governo.

JEFF FRANKS, Reuters

06 de setembro de 2012 | 16h50

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia disseram ter a esperança de que a negociação de paz encerre um conflito de meio século, mas o pedido de trégua pode complicar o início do processo, porque o presidente Juan Manuel Santos disse nesta semana que não haverá cessar-fogo durante a negociação.

"Vamos propor um cessar-fogo imediatamente quando nos sentarmos à mesa", disse o comandante rebelde Mauricio Jaramillo numa entrevista coletiva em Havana. "Ou melhor, vamos lutar por isso. Vamos discutir lá sobre a mesa, mas é um dos primeiros pontos."

Há uma década, na última tentativa de encerrar o conflito, os rebeldes usaram um cessar-fogo para fortalecer suas operações militares e estabelecer uma lucrativa rede de tráfico de cocaína.

"Não há forma de o governo aceitar isso, já que ele sempre buscou um cessar-fogo unilateral da parte dos rebeldes", disse o analista de segurança Alfredo Rangel, de Bogotá. "O governo vai rejeitar isso imediatamente, e isso será aproveitado pelas Farc, que desejam continuar em combate. As Farc vão usar a violência para pressionar o governo na mesa de negociações."

Os rebeldes disseram que o início do diálogo está previsto para 8 de outubro, na Noruega. Em seguida, o processo será transferido para Havana, onde na quarta-feira o governo cubano disse estar há um ano envolvido na mediação.

Jaramillo disse que as Farc, grupo marxista criado em 1964 e que atualmente opera a partir de locais remotos da Colômbia, enviarão seus dirigentes Iván Márquez e José Santrich à Noruega, e que outros participantes da delegação serão divulgados em breve.

"Achamos muito importante desenvolver e preservar esse processo, porque ele responde a uma necessidade, a um forte desejo do povo colombiano", disse Marco León, membro das Farc. "Estamos em guerra, estamos conscientes da importância de acabar com o conflito social e armado."

Santos apresentou sua delegação de negociadores na quarta-feira. Ela será liderada pelo ex-vice-presidente Humberto de la Calle.

Apesar do tom conciliador, especialistas dizem que o processo de paz será difícil, pois haverá muitas divergências.

Na terça-feira, as Farc explodiram dois caminhões em uma mina de carvão, e o comandante rebelde Danilo García, braço-direito do líder supremo Rodrigo "Timochenko" Londoño, foi morto num bombardeio das forças do governo.

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