Rebeldes das FARC rejeitam apelo para desmobilização

Os rebeldes da Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desprezaram "a alegria" dos seus inimigos e rejeitaram um apelo para desmobilização depois que o assassinato do líder Alfonso Cano deu ao presidente Juan Manuel Santos sua maior vitória militar.

DANIEL WALLIS, REUTERS

06 de novembro de 2011 | 17h01

Muitos colombianos esperavam que a morte do comandante marxista, de 63 anos, durante um ataque ao seu esconderijo na selva, na sexta-feira, pudesse marcar o início do fim de quase cinco décadas de guerra civil, que tem assolado o país andino.

Santos fez um apelo especial para que eles abandonassem as armas. Mas ninguém espera que o grupo financiado pelos narcotraficantes desista rapidamente e, de fato, em vez disso, eles juraram continuar com a luta.

"Essa não será a primeira vez que os oprimidos e explorados da Colômbia ficam de luto pela morte de um de seus grandes líderes", disseram as Farc em uma declaração, no sábado no site www.anncol.info, que frequentemente publica suas mensagens.

"E também não é a primeira vez que eles os substituem, com a coragem e absoluta convicção de vitória. A paz na Colômbia não virá através da desmobilização da guerrilha, mas através da abolição das causas da revolta."

Tendo começado como uma revolta camponesa, de inspiração marxista, que buscava o fim da enorme desigualdade financeira no país, as Farc passaram a depender cada vez mais do tráfico de cocaína para financiar a mais longa revolta da América Latina.

Dezenas de milhares de colombianos já morreram, apesar das ofensivas militares do governo, desde 2002, apoiados por financiamentos e treinamento dos Estados Unidos, terem enfraquecido os rebeldes consideravelmente.

Espera-se que o assassinato de Cano, que tinha uma recompensa de 3,7 milhões de dólares pela sua cabeça, causasse mais danos à capacidade do grupo de realizar atentados a bomba, emboscadas e sequestros, que durante um tempo fizeram da Colômbia um sinônimo da violência e derramamento de sangue.

Apesar de Cano, um ex-estudante ativista, ainda ter o apoio de alguns grupos universitários da extrema esquerda, a maioria dos colombianos o desprezava e comemorou sua morte.

Entretanto, ainda existe uma grande preocupação com o governo sobre as frequentes atividades sanguinárias dos paramilitares de direita, com a falta de atenção à enorme população de refugiados e com a distribuição de terras, ainda extremamente desigual.

As Farc censuraram a "comemoração" da "oligarquia" colombiana. "Ainda podemos ouvir suas risadas felizes e brindes entusiasmados. Todas as vozes da elite governante concordam que esse é o fim da guerrilha na Colômbia", declararam as FARC.

Cano, um ex-líder do partido da juventude comunista, assumiu o cargo de chefe dos rebeldes depois que o fundador das Farc morreu de um ataque cardíaco, em 2008.

Não ficou imediatamente claro quem assumirá o lugar de Cano, mas analistas acreditam que os comandantes das Farc, Ivan Marquez ou Timoleon Jimenez, conhecido como Timochenko, podem ser os candidatos.

Deserções e ataques militares reduziram as fileiras dos rebeldes. No seu auge, o grupo teve 17 mil integrantes, mas o número recuou para cerca de 7 mil. As Farc têm sobrevivendo há mais de 40 anos e ainda possuem um quadro de comandantes experientes.

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