Recompensa a guerrilheiro causa polêmica na Colômbia

O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe,disse na segunda-feira que uma investigação determinará opagamento ou não de uma milionária recompensa ao guerrilheiroque matou um dos líderes das Farc, mas advertiu que o Estado dedireito não pode estimular massacres. Antes, um alto funcionário do governo havia se manifestadoa favor do pagamento da recompensa ao guerrilheiro, apesar dapolêmica sobre as possíveis consequências desse prêmio. Pablo "Rojas" Montoya matou com um tiro no rosto ocomandante guerrilheiro Iván Rios, um dos sete integrantes dosecretariado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(Farc). Foi o segundo golpe para a guerrilha em menos de umasemana, já que dias antes o dirigente Raúl Reyes morrera numaação militar colombiana em território do Equador. "Rojas", que amputou a mão direita do dirigente para provarsua morte, assassinou também a namorada de Ríos. "A política de recompensa sempre foi uma política dogoverno, sempre foi honrada. Neste caso em particular,precisamos dessa definição jurídica, porque o governo estimulaa informação que permita que a Força Pública dê com osdelinquentes", disse Uribe a jornalistas. "Neste caso, há uma ação que causou a morte de duaspessoas. E este é um Estado de leis", afirmou. O governooferecia 2,6 milhões de dólares pela morte de Rios. Antes, Frank Pearl, assessor presidencial para areintegração de combatentes, dissera a jornalistas: "Esperamosque a recompensa seja paga e que a recompensa seja efetiva,porque é um mecanismo para desarticular as Farc, para seguiralquebrando a pouca confiança que há entre as diferentesfrentes. O sistema de recompensas deve ser respeitado epromovido." "Rojas" passou 16 anos nas Farc e disse que decidiu matarRíos por causa do cerco militar que deixava os guerrilheirosisolados e famintos. Ele disse que espera receber a recompensapara iniciar uma nova vida. Mas alguns juristas contestaram o pagamento, alegando queisso permitiria que qualquer pessoa aplique a justiça com aspróprias mãos, substituindo o Estado. "Como no oeste americano, vai-se abrir caminho para quequalquer pessoa possa dar morte a alguém para receber umarecompensa", disse o ex-promotor Alfonso Gómez. Já o advogado e ex-procurador Jaime Bernal Cuellarassegurou que a regulamentação para o pagamento de recompensaspor traficantes e guerrilheiros não especifica se o prêmio valepor fornecer informações que levem à captura ou por entregar osdelinquentes mortos. "Há uma lei que não traz condicionamentos, em consequênciadisso acho que se deve pagar", disse Bernal.

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