Reconhecer governo de Lobo está fora de questão, diz Lula

Em Portugal, presidente brasileiro reitera posição do Brasil em relação a eleições em Honduras

Jair Rattner, BBC

01 de dezembro de 2009 | 09h21

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta terça-feira, 1 em Lisboa, que "está fora de questão reconhecer o governo de Porfírio "Pepe" Lobo, eleito presidente de Honduras no domingo. "Não, não, não, não. Peremptoriamente não", afirmou o presidente, que está na capital portuguesa para a Cúpula Ibero-americana.

 

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Na segunda-feira, o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, chegou a indicar que a relação futura do governo brasileiro com o governo de Honduras poderia depender da postura de Lobo em relação à Organização dos Estados Americanos (OEA) e de dados confirmando o alto comparecimento dos eleitores hondurenhos às urnas. Mas Lula evitou fazer a mesma afirmação: "Este cidadão (Lobo) tem o direito de fazer as gestões que achar que deve fazer. Se acontecer alguma coisa, vamos discutir a coisa nova. Por enquanto, a posição brasileira é de não aceitação do processo eleitoral em Honduras."

 

O presidente explicou ainda por que, tendo sempre defendido o diálogo, se recusou conversar com o presidente de fato Roberto Micheletti. "Honduras desrespeitou o princípio mais elementar da volta à normalidade democrática do seu país. O golpista agiu cinicamente, deu um golpe no país e convocou uma eleição quando ele não tinha o direito de convocar eleição. Eles poderiam ter feito as coisas com a maior normalidade, voltava o presidente, convocava eleições. A volta à normalidade a Honduras é tudo o que nós queremos. O resto é o seguinte: não dá para fazer concessão a golpista."

 

Para Lula, o fato de a Cúpula Ibero-americana não ter adotado uma posição a respeito de Honduras não significa o fracasso da reunião. "A cimeira não foi convocada para isso. Se a cimeira tivesse sido convocada para discutir Honduras eu não teria vindo. Eu vim à cimeira porque a gente discutiu uma coisa que eu acho importante: inovação e conhecimento, que é um tema importante sobretudo para os países em desenvolvimento".

Porfírio "Pepe" Lobo foi eleito em meio a uma grave crise política em Honduras, gerada quando o então presidente, Manuel Zelaya, foi deposto por militares, em junho. Na segunda-feira, Lobo afirmou que pedirá a chefes de Estado estrangeiros que "compreendam a realidade hondurenha e parem de punir o país" ao não reconhecer as eleições.

O presidente-eleito, que assume dia 27 de janeiro, disse pretender iniciar rapidamente um diálogo também com opositores internos, simpatizantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, que já se recusaram a negociar.

Ainda na segunda-feira, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, disse que está aberto ao diálogo com Lobo, para construir a democracia no país. Zelaya está desde setembro na embaixada brasileira em Tegucigalpa, e Lula disse, no domingo, que o Brasil não vai expulsá-lo.

 

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