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Reeleição garante avanço de 'revolução cidadã', diz Correa

Presidente afirma que vitória é 'banho de legimitimidade democrática' e que Equador ruma para novo socialismo

Efe,

27 de abril de 2009 | 17h42

O presidente do Equador, Rafael Correa, assegurou nesta segunda-feira, 27, que "nada, nem ninguém" vai deter sua revolução cidadã ao considerar sua vitória eleitoral de domingo como um "banho de legitimidade democrática". Em entrevista coletiva a veículos de imprensa estrangeiros, Correa destacou que o povo equatoriano ratificou ontem nas urnas o "projeto em andamento da revolução cidadã", ao reelegê-lo com mais de 50% dos votos, de acordo com a apuração de mais de 70% das urnas.

 

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O chefe de Estado ressaltou a necessidade de aprofundar esse projeto de mudanças iniciadas em janeiro de 2007, quando assumiu a Presidência da República, e que está "encaminhado rumo ao socialismo do século XXI". "Os resultados nos favoreceram amplamente e isto nos dá um grande apoio político para continuar aprofundando as mudanças mais radicalmente, mais aceleradamente", afirmou.

 

Para Correa, a mudança institucional "começou com a nova Constituição", promovida por ele e referendada em setembro de 2008, segundo ele uma "revolução social" que exige reformas para resgatar, por meio de uma economia popular e solidária, um "setor tornado invisível pelas políticas públicas". Com sua previsível reeleição, à espera dos dados oficiais finais, Correa assegurou que é possível "avançar com mais força nestas mudanças."

 

O presidente voltou a atacar seus dois principais adversários nas eleições, o multimilionário Álvaro Noboa - a quem chamou de "Alvarito" em várias ocasiões - e o ex-militar e ex-presidente equatoriano Lúcio Gutiérrez, que ainda não reconheceu sua derrota. "A oposição não nos tirou um voto, se comeram entre eles", porque a direita e os bancos retiraram seu apoio a Noboa e "apostaram tudo em Gutiérrez", disse Correa.

 

Além disso, considerou Gutiérrez como uma pessoa "com graves limitações morais e intelectuais". Com 70% das urnas apuradas, Correa aparece na frente com 51% dos votos a seu favor, seguido de longe por Gutiérrez, que tem quase 28%. "Sempre temos uns 25% contra, façamos o que façamos, e outros 15% aos quais ainda não pudemos atender, são presa fácil de demagogos", disse Correa, acrescentando que "o desafio é poder atender a esses 15% nos próximos quatro anos."

 

Sobre o conjunto da América Latina, o presidente equatoriano sustentou que "é a região com mais desigualdade do mundo", e que seu país é "um dos mais desiguais". Para mudar essa situação, o chefe de Estado considerou necessária uma verdadeira integração regional, "buscar a pátria grande" da qual falou o revolucionário cubano José Martí, e se comprometeu a trabalhar nos próximos quatro anos para "consolidar a união do sul."

 

INTEGRAÇÃO

 

Segundo Correa, "um dos grandes erros do enfoque integracionista nos últimos anos foi a integração comercial baseada no absurdo da concorrência". Para o presidente equatoriano, "o nível de vida" dos cidadãos do país se deteriorou e os países desenvolvidos se "beneficiaram com produtos mais baratos."

 

Para ele, há a necessidade de um enfoque "diferente" da integração, que prime por "coordenação, complementaridade e cooperação" para buscar uma "nova arquitetura financeira regional". Nesse sentido, Correa declarou que "não é possível democratizar o sistema capitalista" e defendeu mudar de sistema para não depender das instituições financeiras tradicionais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

 

O chefe de Estado do Equador disse estar avançando para criar, dentro da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), impulsionada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, "o sistema único de cooperação regional (Sucre)" para as transações comerciais. Além disso, manifestou sua intenção de "tornar efetivo o Banco do Sul" e formar um fundo de reserva do sul.

 

Quanto às relações exteriores, o presidente equatoriano assinalou que manterá uma política soberana e independente e destacou que não tem medo de se relacionar com países que ofereceram "amizade, cooperação e apoio", como Irã, Rússia, China e Canadá. No entanto, assegurou que sua prioridade será lidar com "os irmãos latino-americanos, caso coincidam com esta linha socialista, como a grande maioria."

 

Sobre os Estados Unidos, Correa afirmou que sempre mantiveram um "respeito mútuo" e lembrou que é o principal parceiro comercial do Equador. Em seu discurso, o chefe de Estado do Equador voltou a atacar a imprensa ao afirmar que esta praticou uma "oposição selvagem" e que é "corrupta e vendida."

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