Refém das Farc foge com guerrilheiro e encontra militares

Lizcano contou que fugiu com um rebelde do acampamento e no caminho se encontrou uma unidade militar

AP,

26 de outubro de 2008 | 20h44

O ex-congressista Oscar Tulio Lizcano afirmou neste domingo, 26, que fugiu com um guerrilheiro de um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Seqüestrado havia oito anos, Lizcano disse que no caminho se encontrou com uma unidade militar.   Inicialmente, autoridades locais e parentes disseram que o político havia sido libertado em uma operação militar. Porém o próprio ex-parlamentar e o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, esclareceram que tratou-se de uma fuga. Os dois falaram em uma base militar em Cali, 300 quilômetros a sudoeste da capital, Bogotá.   Segundo Santos, os militares receberam no início do mês informações sobre o paradeiro de Lizcano. Com isso iniciaram uma busca, que coincidiu com a decisão do chefe da unidade rebelde onde estava o ex-parlamentar de que ambos fugissem.   Veja também: O drama de Ingrid  Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região      "Quero fazer...o agradecimento sobretudo à pessoa que teve a valentia, o valor de sair comigo", disse Lizcano. "Eu estava muito doente", recordou, para em seguida agradecer ao Exército. "A pressão (dos militares na zona) foi muita", recordou o ex-refém, visivelmente cansado.   Economista de formação, Lizcano, de 62 anos, estava em uma zona rural da província de Chocó, no oeste do país. "Foram oito anos de muito sofrimento", disse à rádio Caracol a mulher do político, Martha de Lizcano, ao saber da libertação.   O ex-parlamentar foi raptado em agosto de 2000, na vila de Riosucio, província de Caldas, a noroeste da capital. Quando raptado, Lizcano representava o Partido Conservador no Congresso. Em abril, as Farc divulgaram uma "prova de vida" de Lizcano, um vídeo no qual ele pedia para o presidente venezuelano, Hugo Chávez, trabalhar para tirar os reféns dali, pois eles estariam "apodrecendo na selva".   Com uma longa barba branca, de camiseta preta bastante suja de barro e calças escuras, Lizcano falou brevemente. Ele pediu desculpas por alguma eventual incoerência em sua fala, argumentando que nos oito anos de cativeiro permanecia isolado e não lhe permitiam conversar com os rebeldes.  

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