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Refém das Farc há 12 anos será libertado em um mês

Senadora colombiana garantiu que rebeldes soltarão prisioneiros; governo não soltará rebeldes em troca

Efe,

24 de setembro de 2009 | 14h32

A senadora colombiana Piedad Córdoba, da oposição, afirmou nesta quinta-feira, 24, que, em um mês, estarão livres os dois reféns que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se comprometeram a entregar junto com os restos mortais de um policial morto em cativeiro.

 

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"Acho que, em um mês, já teremos resolvido esta questão", disse Córdoba a jornalistas na cidade de Medellín (noroeste). "O importante agora é avançar na logística" dessas libertações e acabar com esta situação "desesperadora" para as famílias", ressaltou a legisladora.

 

Há cerca de três meses, as Farc se dispuseram a libertar unilateralmente o soldado Josué Daniel Calvo e o cabo do Exército Pablo Emilio Moncayo, sequestrado há quase 12 anos. A guerrilha também prometeu devolver os restos mortais do policial Julián Guevara, que morreu sob o poder dos rebeldes.

 

Os rebeldes, no entanto, disseram que só fariam a entrega a Córdoba. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, deu sua autorização em 8 de julho, mas impôs como condição a libertação simultânea de todos os policiais e militares que as Farc querem trocar por rebeldes presos - a guerrilha fala de 23, e o governo, de 24 -, além da devolução dos restos de três homens que morreram em cativeiro.

 

Diante da estagnação do processo e do apelo das famílias dos reféns, no último sábado Uribe decidiu retirar as condições e ratificou a autorização dada a Córdoba para participar das libertações junto com a Igreja Católica e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

 

A senadora adiantou que o grupo Colombianos e Colombianas pela Paz, que ela mesma lidera, já está preparando uma carta destinada às Farc para concretizar as libertações anunciadas e avançar na possível troca humanitária de reféns por rebeldes presos.

 

Provas

 

As Farc entregaram à parlamentar um vídeo que prova que o cabo Mocayo está vivo e no qual ele pede a Uribe que "abra as portas" para conseguir sua libertação e a dos demais reféns em poder da guerrilha.

"Senhor presidente (Alvaro) Uribe: abra a porta por favor que quero ser livre", disse Moncayo em um vídeo de quase cinco minutos que Piedad disse ter recebido "às sete da noite" da quarta-feira. Quando se dirige a Uribe, o prisioneiro bate várias vezes o punho em uma espécie de mesa que está na sua frente para indicar que o presidente tem as chaves para abrir as portas para sua liberdade.

 

"Há cerca de cinco meses perambulo pelo meio a selva, esquivando-me de operações, bombardeios, metralhadoras, ações que põem em risco minha integridade física", diz ele, com voz pausada. "Ainda assim, não perco a esperança de regressar são e salvo ao meu lugar, junto de meus familiares, e recuperar todos aqueles momentos que não passamos juntos, que não desfrutamos há muito tempo. Dizer-lhes que mantenho a esperança e estou motivado", continua o prisioneiro.

 

"Nós temos passado um tempo valioso de nossas vidas em abnegação e sacrifício para receber em troca a ingratidão, o esquecimento. É justo pois, que não nos neguem mais o direito de ser livres", diz Moncayo. "Espero somente que não sigam colocando travas à minha liberação e que com o apoio de todos vocês, de todos os colombianos, se consiga também a libertação de meus outros companheiros", completa.

 

No vídeo, Moncayo saúda várias pessoas. Primeiramente seus pais, Gustavo e Stella, a senadora Piedad Córdoba e os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa. "Agradeço a eles todas as atitudes que tomaram para conseguir nossa liberação", afirma. As imagens mostram o cabo, de 31 anos, vestindo uma espécie de jaqueta verde e um cachecol. Ele também está de bigode e barba. Ao final da gravação, em silêncio, ele sorri.

 

Horas depois da divulgação do vídeo, o Alto Comissário para a Paz, Frank Pearl, disse "estar esperando informações da parte das Farc". Ele declarou à rádio Caracol que está otimista, "embora não seja fácil (o trâmite da libertação)".

 

"O governo tem a porta aberta", afirmou Pearl, ao responder ao pedido de Moncayo ao presidente Uribe. "Temos as portas abertas, obviamente, sob certas condições", afirmou.

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