Refém das Farc pede a Chávez uma área para os seqüestrados

Pedido do tenente Raimundo Malagón está em um dos cinco vídeos apreendidos com supostos milicianos

EFE

01 de dezembro de 2007 | 06h38

O tenente do Exército colombiano Raimundo Malagón, refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) há mais de nove anos, pediu ao presidente venezuelano Hugo Chávez que ceda uma área na Venezuela para os seqüestrados pela guerrilha. "Uma sugestão muito importante ao presidente Hugo Chávez e à senadora Piedad Córdoba é que estudem a possibilidade de criar no território venezuelano uma área para onde possam ser levados os cativos ou seqüestrados, ou como queiram nos chamar", disse Malagón. O pedido do oficial colombiano está num dos cinco vídeos apreendidos com supostos milicianos das Farc na quinta-feira. Na gravação, o tenente Malagón também pede a seu irmão Omar que cuide da sua família, e a um "padrinho" que financie a carreira das suas sobrinhas. Na gravação o refém das Farc lamenta que em muitas ocasiões os seqüestrados "ficam acorrentados noite e dia". Ele admite que "a troca humanitária não é um tema fácil" mas sugere que "se busque uma forma para que os seqüestrados não continuem morrendo nestas condições". Ele explica que "infelizmente se vive todo tipo de calamidade nas selvas inóspitas, frias e úmidas" e que os reféns sofrem de condições "desumanas". "Temos que fazer necessidades num buraco e tomar banho em riachos impróprios para os seres humanos", disse. O tenente Malagón criticou organizações nacionais e internacionais de direitos humanos, as Nações Unidas, a Cruz Vermelha Internacional e a Defensoria Pública. Se elas trabalhassem mais, "não se perderiam tantas vidas" nas selvas, acusou. Omar Malagón, irmão do oficial, e prefeito da localidade de Tinjacá, expressou tristeza "pelas condições físicas" de Raimundo. Ele destacou "a voz desgastada, muito baixa", mas também "a eloqüência, falando de possibilidades de troca para uma libertação". O cabo da Polícia John Jairo Durán, além de enviar uma mensagem à sua família, pedindo que o seu filho estude, cumprimenta a mãe do capitão Julián Guevara, morto em cativeiro. "O seu filho sempre a amou, sempre a levava em seu coração", diz o cabo Durán no vídeo. Os parentes de 17 dos 43 seqüestrados pelas Farc receberam provas de sobrevivência. Segundo o alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo, elas estavam contidas em cinco vídeos.

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