Reféns colombianos: do seqüestro à liberdade

Veja os principais momentos da queda de braço entre governo e guerrilheiros para troca humanitária

27 de fevereiro de 2008 | 14h47

Embora alguns dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estejam em cativeiro há quase dez anos, a projeção internacional da questão dos seqüestrados políticos da guerrilha esquerdista ganhou força a partir de 2002, após uma onda de ataques contra importantes personalidades da vida pública do país.  Veja os principais momentos da queda de braço entre governo e guerrilheiros colombianos a partir 2002. 2002  Fevereiro: guerrilheiros das Farc seqüestram Ingrid Betancourt, candidata presidencial pelo partido Verde, e sua chefe de campanha Clara RojasDezembro: Farc exigem do governo a desmilitarização de uma área de 115 mil km2 para abrigar negociações para uma troca de prisioneiros entre guerrilha e governo  2003 Fevereiro: guerrilheiros derrubam avião e seqüestram três cidadãos americanos Julho: Avião francês é enviado para Manaus supostamente para receber Ingrid Betancourt. A operação fracassa e gera incidente entre Paris e Brasília 2004 Setembro: Farc fazem novo pedido de desmilitarização e reduzem área para 31 mil km2, no municípios de Chairá e San Vicente del Caguán 2005  Dezembro: França, Espanha e Suíça propõe negociar troca de prisioneiros com observadores internacionais numa pequena cidade próxima de Florida e Pradera. Uribe aceita a proposta 2006 Janeiro: Farc dizem desconhecer a proposta européia e dizem que a negociação favoreceria Uribe, que visa ser reeleito Dezembro: Ex-ministro Fernando Araújo, que havia sido seqüestrado, escapa do cativeiro na selva colombiana. Após dois meses é nomeado chanceler colombiano 2007 Maio: Uribe dá anistia a um grande número de guerrilheiros presos por "razões de estado". Entre os beneficiados está o "chanceler" das Farc Rodrigo Granda, cuja libertação teria sido reivindicada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. Junho: As FARC anunciam a morte de 11 deputados reféns em "fogo cruzado". Governo denuncia suposto "assassinato" Agosto: Uribe autoriza a mediação do presidente Hugo Chávez na busca de uma troca de prisioneiros  Novembro: Presidente colombiano retira venezuelano das negociações alegando que Chávez quebrou um dos termos do acordo ao passar por cima do governo e tratar diretamente com a cúpula do Exército. Menos de dez dias depois, Bogotá divulga fotos, vídeos e cartas dos 16 dos reféns, entre eles Ingrid e três cidadãos americanos Dezembro: As Farc anunciam que libertarão antes do Natal a ex-assessora da campanha de Ingrid Betancourt, Clara Rojas, seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro, e a ex-congressista Consuelo González num jeito de desagravo ao presidente Hugo Chávez, afirmando que os três seriam entregues ao próprio líder venezuelano ou alguém designado por ele. No dia 26, Chávez revela um plano para resgatar os reféns na selva colombiana. O governo de Uribe autoriza a "caravana humanitária" aérea venezuelana a entrar em território colombiano, desde que as aeronaves sejam identificadas por marcas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Mediadores internacionais, incluindo o assessor especial da Presidência brasileira, Marco Aurélio Garcia, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner e representantes dos governos de Cuba, Equador, Bolívia, França e Suíça. A primeira missão de resgate foi adiada pelas Farc no dia 31. Os rebeldes acusaram o governo colombiano de realizar uma nova ofensiva militar na selva colombiana, fato que teria impedido a libertação das reféns. Pouco tempo depois, à partir de uma hipótese levantada pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, veio à tona a informação de que Emmanuel, filho de Clara, já não estava em cativeiro e sim internado em um orfanato em Bogotá.  2008 Janeiro: A hipótese de Uribe foi confirmada por meio de um exame de DNA e logo depois confirmada pelos guerrilheiros: Emmanuel já não estava em poder das Farc. O menino, nascido em cativeiro há pouco mais de três anos, havia sido entregue pelas Farc a uma família de camponeses no Departamento de Guaviare e logo depois teria sido levado para o Instituto de Bem-Estar Familiar na capital colombiana. No dia 9, Chávez anunciou ter recebido as coordenadas do local em que seriam libertadas as duas reféns e o governo da Colômbia autorizou novamente a entrada das aeronaves venezuelanas. Com o aval de Uribe, helicópteros, no dia 10 de janeiro, para uma região de mata fechada da Colômbia e receber as duas políticas seqüestradas pela guerrilha. No início da tarde, Chávez anunciou que as Farc haviam libertado as reféns. O presidente disse ainda ter conversado por telefone com Clara Rojas e Consuelo González. "Disse às duas: bem-vindas à vida", contou ele em entrevista no palácio presidencial. Fevereiro: As Farc anunciaram a libertação de outros três reféns em um comunicado. Os três seqüestrados são os ex-congressistas colombianos Gloria Polanco de Lozada, Luis Eladio Pérez e Orlando Beltrán, seqüestrados em 2001.  No dia 21, o chanceler da França, Bernard Kouchner, confirma que a guerrilha deve quatro reféns. O quarto seqüestrado a ser libertado seria o ex-congressista Jorge Eduardo Gechem, que estaria enfrentando problemas de saúde, conforme versões de ex-detidos pela facção. Dias depois, o governo da Venezuela anunciou que teria recebido as coordenadas do local em que os reféns seriam libertados e a Colômbia novamente autoriza a operação. Em 27 de fevereiro, os ex-congressistas foram libertados nesta quarta-feira em uma operação coordenada pelo governo venezuelano e a Cruz Vermelha.

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