Reféns das Farc contam como era o dia-a-dia no cativeiro

Libertados dizem que a vida piorou com aproximação das tropas e com o acesso cada vez menor a suprimentos

AP

03 de julho de 2008 | 18h10

Uma refeição era arroz e feijão. A cama era o chão embaixo de um plástico. Eles tomavam banho em rios e, quando não estavam amarrados às árvores pelo pescoço, eram forçados em longas marchas para novos esconderijos. Veja também:Ingrid pede liga de países para libertar reféns das Farc Ingrid Betancourt chega à França nesta sexta-feira Colômbia poderá libertar mais reféns, diz ministro Chávez reitera apelo para que Farc deponham armasAmericanos que estavam em poder das Farc chegam aos EUAEUA admitem conhecer plano para libertar reféns das Farc Para ex-líderes colombianos, negociar é única saída para FarcQuem são os ex-reféns libertados pelo Exército colombianoO drama de IngridPor dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região   Cronologia do seqüestro de Ingrid BetancourtLeia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid Betancourt Os reféns libertados das Farc disseram nesta quinta-feira, 3, que sua existência como cativos piorou nos meses recentes com a aproximação das tropas e o acesso cada vez menor a suprimentos.  "No ano passado, era mais difícil conseguir comida. Havia pouca variedade, não havia frutas nem vegetais", disse Ingrid Betancourt.  Os reféns acordavam às 5h30, disse o soldado resgatado William Perez, nesta quinta-feira, 3. Eles tinha café e sucrilhos para o café da manhã, ouviam rádio e se exercitavam por uma hora.  O almoço era arroz, macarrão e lentilhas. Uma vez por mês eles comiam carnes ou vegetais. Eles iam dormir por volta das 6 horas.  "Nada mais", disse Perez, que passou uma década preso. "A única coisa era o rádio. Eles nos davam pilhas." Os reféns fizeram referências à crueldade de seus seqüestradores, mas deram poucos detalhes. "Não era o tratamento que se dê a seres, nem digo a seres humanos", disse Ingrid Betancourt à France 2 nesta quinta-feira, 3. "Eu não daria esse tratamento a um animal, talvez nem mesmo a uma planta. Havia apenas crueldade arbitraria." No entanto, um grande desafio muitas vezes era apenas o tédio, disse Perez, que era interrompido apenas por eventuais caminhadas de campo a campo. Suas piores memórias são de ser acorrentado pelo pescoço em um poste e de ir em caminhadas forçadas sem botas.

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