Referendo autonomista em Santa Cruz deixa mais de 20 feridos

Referendo da Bolívia supõe um momento crítico no conflito político vivido pelo país, contra Evo Morales

Efe

04 de maio de 2008 | 18h14

O referendo autonomista do departamento boliviano de Santa Cruz está sendo realizado neste domingo, 4, em meio a surtos de violência em zonas da região controladas pelo oficialismo, onde mais de 20 pessoas foram feridas.O referendo da Bolívia supõe um momento crítico no conflito político vivido pelo país, onde o movimento autonomista liderado por Santa Cruz está enfrentado o projeto constitucionalista de Evo Morales.   VEJA TAMBÉM:  Tensão aumenta na Bolívia em véspera de referendo  OEA rechaça qualquer tentativa de ruptura territorial na Bolívia Entenda o referendo sobre autonomia   A tão temida violência ocorreu durante a consulta dos habitantes de Santa Cruz, que foram às urnas para ratificar um estatuto autônomo que o Governo central considera ilegal e separatista.   O próprio referendo foi organizado pelos dirigentes de Santa Cruz sem o aval da Corte Eleitoral Nacional, que o considera inconstitucional.   As localidades de San Julián, Yapacaní, Montero e Plan 3.000, um bairro humilde da capital de Santa Cruz, todas com maioria favorável ao Movimento ao Socialismo (MAS, governista) foram o palco dos enfrentamentos entre governistas e autonomistas.   Os choques continuam em Plan 3.000, onde foi reportada a maior quantidade de feridos, que -segundo fontes médicas- são 12, embora o governo fale em 18.   Neste bairro foi registrado  o falecimento de um homem de aproximadamente 70 anos, provavelmente por asfixia, segundo seus vizinhos, embora os dados a respeito sejam ainda confusos, e a relação desta morte com os enfrentamentos não tenha sido confirmada por fontes oficiais.   Outros cinco lesionados foram reportados também por fontes médicas na localidade de Montero, outro foco de tensão na área rural onde um jovem ficou com uma fratura exposta na perna pela explosão de um cartucho de dinamite.   Na população de San Julián, onde ontem à noite começaram bloqueios de estradas, fontes médicas confirmaram à Agência Efe que um seguidor de Morales ficou gravemente ferido ao cair de um ônibus que o atropelou causando danos a seus órgãos internos.   Além disso, foram registrados feridos na localidade de Yapacaní, outro reduto dos sindicatos leais a Morales no qual o referendo foi suspenso porque camponeses atacaram os locais de votação.   Em La Paz, o ministro de Governo (Interior), Alfredo Rada, indicou que o balanço oficial de feridos durante o dia de votação chega a pelo menos 20 e acrescentou que, segundo uma divulgação preliminar da Polícia, haveria cerca de 40 detidos.   "Qualquer discurso que diga que hoje é uma jornada democrática, bem-sucedida, pacífica e tranqüila padece de falsidade", denunciou o ministro, ao defender que, além do "clima de violência" vivido pela região, a votação é uma "fraude" pelas numerosas irregularidades detectadas.   Ele afirmou que foram encontradas cédulas com a opção do "sim" à autonomia marcada previamente, que algumas pessoas foram eliminadas do censo eleitoral e que outras foram amedrontadas sendo pressionadas a votar. Entretanto, o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, responsabilizou os seguidores de Morales pelos incidentes e pelos enfrentamentos.   Costas pediu para que população de Santa Cruz não se deixasse "amedrontar" e que "desdramatize" o caso porque, segundo sua opinião, são irregularidades "que não representam o denominador comum" neste dia de votação.   No centro de Santa Cruz de la Sierra, a capital da província, a manhã transcorreu sem incidentes e os cidadãos foram aos postos eleitorais votar com total normalidade.    

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