Referendo no Equador tem apuração apertada

O presidente do Equador, Rafael Correa, enfrenta na segunda-feira uma apuração mais apertada do que se previa em duas perguntas cruciais incluídas no referendo do fim de semana, relacionadas a reformas da Justiça e dos meios de comunicação, segundo dados oficiais parciais.

ALEXANDRA VALENCIA, REUTERS

09 de maio de 2011 | 20h52

O presidente esquerdista propôs aos equatorianos a designação de novos juízes, como forma de combater a corrupção e a criminalidade. Seus adversários dizem que essa intervenção fará Correa acumular poderes, e que isso será uma ameaça à democracia.

Outra proposta polêmica é a de criar um órgão regulador para o conteúdo divulgado nos meios de comunicação, estabelecendo mecanismos de responsabilidade para os jornalistas - o que, no entender da oposição, limitaria a liberdade de expressão.

O referendo incluía outras oito medidas em que a apuração dava ampla vantagem ao governo. A oposição, embora tenha aceitado a derrota, pediu vigilância na contagem dos votos, que vem refletindo um resultado mais apertado do que indicavam as pesquisas.

"Ganhamos a partida. Ganhou o 'sim', indiscutivelmente (...) Querem gerar incerteza, elucubrações para deslegitimar uma vitória claríssima", disse Correa a jornalistas em seu gabinete.

Com 40 por cento dos votos já apurados, os dados do Conselho Nacional Eleitoral mostram que o "sim" tinha menos de um ponto percentual de vantagem sobre o "não" na questão sobre a nomeação de novos juízes. A tendência se repetia na pergunta sobre o controle da mídia.

Analistas dizem que esse resultado pode indicar um desgaste na popularidade do carismático Correa, que tem uma forte base de apoio entre os mais pobres graças a suas iniciativas sociais, mas que é acusado por rivais de ser autoritário e de tentar acumular poderes.

"Os equatorianos, mano, queremos que você escute, reflita e se corrija. Você não é presidente somente dos que lhe disseram 'sim', mas de todo o povo equatoriano", disse a uma TV Fabrício Correa, irmão mais velho do presidente e um dos seus mais ferrenhos opositores.

(Reportagem adicional José Llangarí)

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