Referendo revogatório divide a oposição boliviana

Menos de uma semana após desafiar opresidente Evo Morales com um referendo, a oposição bolivianase mostrou dividida na quarta-feira, insegura quanto a seguiradiante ou não no processo. O racha dentro dos setores conservadores que se opõem àsreformas socialistas do governo deixou a nação mais perto de umcaos político do que de uma campanha eleitoral que poderia darfim ao mandato do presidente indígena, apoiado pela maioriapobre e repudiado pela minoria rica e branca. Pelo menos três governadores e os parlamentares do Podemos,aliança de direita que aprovou a convocação da consulta noCongresso, anunciaram um projeto de lei para anular o processorevogatório, já que agora acham que isso só favoreceria aMorales. Somando-se ao panorama caótico, a oposição pediu que aseleições gerais sejam feitas mais cedo e o governo anunciou quevai reativar a aprovação de uma nova Constituição socialista.Além disso, os líderes do distrito de Santa Cruz decidiramaplicar um estatuto de autonomia que não é reconhecido pelogoverno. "Ao lançar o (referendo) revogatório, o Podemos fez umpéssimo cálculo político que pode lhe custar a vida e ameaçaprejudicar os prefeitos e as autonomias", disse a repórteresRoberto Ruiz, membro da aliança, na quarta-feira. Ruiz se pôs à frente da dissidência no partido para exigirque o referendo revogatório seja anulado. O magnata do cimentoe chefe da oposição centrista, Samuel Doria, denunciou que podeter acontecido inclusive um acordo entre o Podemos e oMovimento al Socialismo, do governo, para convocá-lo. Os parlamentares disseram que quase 54 por cento doseleitores devem se opor a Morales e querem que ele sejadestituído, o que parece improvável, dada a sua popularidade. Porém, os governadores dos nove distritos da Bolívia,vários deles de oposição, podem ter uma sorte diferente, já quea sua destituição do cargo é mais provável. Analistas acham muito pouco provável anular o referendo,particularmente depois que Morales aceitou o desafio comevidente satisfação e promulgou na segunda-feira a lei deconvocação, determinando que a consulta seria feita no dia 10de agosto. A lei do referendo de convocação, segundo explicaram oslíderes opositores, vem para bloquear a nova Constituição,aprovada por uma assembléia constituinte no fim do ano passadoe com o respaldo do governo. Ela ainda deve ser ratificada pelovoto popular. Morales propôs na segunda-feira a cinco governadores --trêsgovernistas e dois de oposição-- um pacto nacional sobre asautonomias, a distribuição de impostos sobre o setor depetróleo e a produção agropecuária. Os quatro governadoresautonomistas não estiveram neste encontro. A Argentina e o Brasil, abastecidos com quantidades vitaisde gás boliviano, enviaram observadores ao encontro.

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