Reforma constitucional de Chávez volta a polarizar Venezuela

A proposta de reforma constitucionalapresentada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já deusinais nesta quinta-feira de que se converterá num calorosodebate, que poderá se arrastar até o fim do ano. A proposta amplia o mandato presidencial de seis para seteanos, com possibilidade de reeleição imediata e contínua, o quesegundo adversários é uma tentativa de Chávez de se perpetuarno poder. Também determina que as autoridades locais sejamescolhidas pelo presidente. Vários grupos políticos de oposição manifestaram repúdio aotexto, que ainda não tinha sido distribuído entre os deputados.Em entrevistas na TV, líderes políticos reagiram ao discurso deChávez sobre a reforma, na noite de quarta-feira, noParlamento. O cientista político José Vicente Carrasquero afirmou que apolarizada sociedade venezuelana vai se agitar nos próximosmeses, com a oposição rechaçando o projeto e a AssembléiaNacional, integrada por 167 deputados governistas, adefendendo. "Vai haver resistência por parte de pessoas que verãototalmente ameaçada sua concepção de vida", disse Carrasquero àReuters, referindo-se à proposta, que segundo Chávez aceleraráa transição ao socialismo. O coordenador nacional do partido Primeiro Justiça, deoposição, Julio Borges, afirmou que aos venezuelanos interessadiscutir e buscar soluções para temas totalmente diferentes dospropostos por Chávez, que só quer saber de sua "reeleiçãocontínua, vitalícia e permanente." "O caminho que devia ser percorrido era convocar umaAssembléia Constituinte, que todo o povo participe (...) e quetodo o povo ratifique essas mudanças constitucionais", disse oadvogado numa entrevista à emissora Venevisión. Ele afirmou que o partido pedirá à alta corte do país queesclareça se esse é o procedimento para o tipo de reformaspropostas pelo presidente. Alguns jornais locais deram apenas manchetes secundáriasaos temas da reforma, e os telejornais alternaram a análise daproposta com outras notícias, principalmente o terremoto noPeru. Chávez explicou a proposta em um ato que se estendeu porquatro horas e meia. Ele pretende modificar 33 artigos daConstituição que ele mesmo promoveu e promulgou em 1999. Ospontos principais da proposta já eram conhecidos, já que elalevou sete meses para ser redigida. As mudanças serãosubmetidas a três discussões legislativas para depois seremvotada em um referendo nacional. (Reportagem adicional de Fabián Andrés Cambero)

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