Reforma de Chávez pode ser aprovada se abstenção for de 25%

A reforma constitucional que dá plenos poderes ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tem chances de ser aprovada caso o índice de abstenção no referendo, marcado para o dia 2 de dezembro, seja superior a 25%. A avaliação é da diretora-executiva do Instituto Venezuelano de Estudos Sociais e Políticos (Invesp), Francine Jácome. Caso as mudanças na lei venezuelana sejam aprovadas, Francine analisa que seu país vai caminhar para um regime autoritário.Veja também:  Chávez acusa o Congresso brasileiro de submissão aos EUA Cronologia do impasse entre o Senado brasileiro e Hugo Chávez De olho em Chávez, militares da Amazônia vão treinar no Haiti"Na medida em que exista uma abstenção relativamente alta na Venezuela, de mais de 25% nesse referendo, é muito provável que a reforma seja aprovada, que o presidente obtenha o sim", analisa Francine. De acordo com ela, se o índice de abstenção ficar em torno de 20% "é possível" que a reforma seja rechaçada."Isso tem muito a ver com a divisão que existe dentro da oposição venezuelana, entre os que vão votar não e os que vão se abster. Essa abstenção vai ajudar o governo", disse Francine durante a 4ª Conferência do Forte de Copacabana: "Segurança Internacional, um diálogo Europa-América do Sul", realizado ontem no Rio.Para Francine, o referendo está sendo realizado num momento em que a população não conhece quais são as mudanças que a reforma constitucional de Chávez pretende implementar no País. Segundo Francine, as últimas pesquisas sobre o referendo indicam que entre 60% e 70% das pessoas disseram que não conhecem qual o conteúdo da reforma constitucional. "Caso a reforma passe, ela será aprovada mais pela liderança do presidente Chávez do que pela consciência dos cidadãos sobre o conteúdo da reforma e o impacto que ela terá sobre a democracia no país", afirmou Francine. Na opinião dela, o conteúdo da reforma vai causar impacto muito negativo na democracia venezuelana. "Vão debilitar muito a nossa democracia. Esta reforma busca uma centralização de poder, uma personalização do poder. E creio que nos levará a um regime cada vez mais autoritário", afirmou Francine.  

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