Reformas em Cuba são necessárias, diz funcionário do governo

Medidas de Raúl Castro não devem ser vistas como 'cosméticas', aponta historiador oficial de Havana

REUTERS

04 de abril de 2008 | 10h44

Um funcionário do governo cubano disse na quinta-feira, 4, que as mudanças promovidas pelo novo presidente do país, Raúl Castro, eram "necessárias" para acabar com as "excessivas proibições" na ilha, e não devem ser vistas meramente como "cosméticas." O governo autorizou nas últimas semanas a venda de eletrodomésticos, suspendeu as restrições ao uso de celulares e revogou a regra que proibia cubanos de se hospedarem em hotéis para estrangeiros. "A cada dia as notícias que nos chegam são alentadoras, e não como dizem nossos inimigos mortais, 'temas cosméticos'. O país assume que o que até ontem não foi conveniente hoje é conveniente e necessário", disse Eusebio Leal, diretor do Escritório do Historiador de Havana. Cuba também descentralizou a produção rural e anunciou a inauguração de um quinto canal de TV, com conteúdo estrangeiro. A declaração de Leal é o primeiro comentário oficial sobre as reformas, que são noticiadas de forma discreta na imprensa estatal. Leal é um dos mais de 400 delegados que participam até sexta-feira de um congresso de intelectuais cuja inauguração, na terça-feira, contou com a presença de Raúl, efetivado em fevereiro no cargo, em substituição a seu irmão, Fidel, doente desde 2006. "Não me envergonho do que estamos fazendo. Pelo contrário, acho que o que estamos fazendo é o correto. E que isso tem razão", disse Leal, cujo departamento é ligado ao Conselho de Estado, em um pronunciamento divulgado na noite de quinta-feira pela TV local. O historiador oficial de Havana disse também que não se envergonha dos compatriotas que "estão fora, porque meus filhos estão fora, e jamais deixarei de chamá-los cubanos." Leal também enviou uma mensagem a Fidel. "De meu coração envio ao convalescente, que não está não porque não quer, mas porque não pode, uma mensagem de gratidão. Preparemo-nos para o novo destino do nosso país", disse o historiador, sob aplausos.

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