Relator da ONU pede que Chávez deixe Globovisión em paz

Um investigador de direitos humanos da ONU pediu na quinta-feira à Venezuela que revogue o mandado de prisão contra o principal acionista do canal oposicionista de TV Globovisión, e alertou que o governo de Hugo Chávez não tem direito de calar seus críticos.

REUTERS

17 de junho de 2010 | 10h20

Frank la Rue, relator especial da ONU para a liberdade de expressão, afirmou que o "assédio" ao empresário Guillermo Zuloaga é sintomático da, segundo ele, contínua deterioração da liberdade de imprensa no país.

"Nenhum governo no mundo tem o direito de silenciar com procedimentos criminais os críticos ou os que se opõem ao Estado", disse La Rue em nota. Ele citou a preocupação de que o mandado de prisão tenha sido "politicamente motivado, voltado somente para silenciar Zuloaga".

O empresário, acusado de abuso do poder econômico, está foragido desde a semana passada, e há uma ordem de prisão também contra Guillermo Zuloaga Siso, filho dele. La Rue pediu que a ordem contra o rapaz também seja revogada.

"Não é a primeira vez que funcionários da Globovisión, inclusive o sr. Zuloaga, são criminalmente perseguidos por causa do exercício do seu direito à liberdade de expressão", disse o guatemalteco La Rue, subordinado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Na segunda-feira, o governo nacionalizou o Banco Federal, que pertencia a outro sócio da Globovisión. As autoridades alegaram problemas de liquidez e risco de fraude. O banco administrava a folha de pagamentos da emissora, cujos funcionários agora estão receosos quanto aos seus salários.

O socialista Chávez sugeriu na quarta-feira que pode nacionalizar também ações da Globovisión, última emissora importante que ainda faz oposição ao governo, às vezes de modo estridente.

O acesso ao canal é importante para a oposição em seus preparativos para as eleições legislativas de setembro. Em 11 anos no poder, Chávez gradualmente montou uma enorme rede de rádios, jornais e TV pró-governo.

La Rue reiterou o pedido, feito em 2003 e 2009, para que Caracas lhe convide para visitar o país e fazer uma avaliação aprofundada da liberdade de expressão e imprensa. "Este pedido lamentavelmente continua sem resposta."

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