Renúncia de Fidel lembra investidores do potencial de Cuba

A renúncia de Fidel Castro anunciadana terça-feira lembrou os investidores que Cuba pode se tornarum grande foco de negócios caso sejam normalizadas as relaçõescom os Estados Unidos. As possibilidades incluem empresas que já atuam na ilha,como o grupo hoteleiro Sol Meliá e a empresa de tabaco Altadis,ambos da Espanha, até empresas norte-americanas que esperareivindicar patrimônio confiscado pelo regime comunista depoisda revolução de 1959. Quem gosta de assumir riscos pode comprar títulos emmoratória do governo cubano, na esperança de que um dia elessejam pagos. Ou então pode investir em empresas que têm aganhar com o fim do embargo norte-americano à ilha. As ações da canadense Sherritt International, maiorinvestidor estrangeiro em Cuba, com operações nos setores deníquel, petróleo e gás, subiram até 6 por cento na terça-feira,sendo cotadas a 15,57 dólares canadenses. Uma empresa que já aposta bastante na Cuba pós-embargo, aHerzfeld Caribbean Basin Fund, viu suas ações subirem mais de20 por cento na terça-feira, quando chegaram a ser cotadas a9,50 dólares. Thomas Herzfeld, diretor do Caribbean Basin Fund, queinveste em empresas que podem lucrar com a normalização dasrelações, disse que duas operadoras de cruzeiros marítimos dosEUA, a Royal Caribbean e a Carnival, atualmente proibidas deatracar em Cuba, poderão dobrar suas atividades no Caribequando terminar o embargo norte-americano. Em geral, porém, a notícia sobre o fim da era Fidel nãoafetou os mercados, devido à expectativa de que Raúl Castro,que já governa interinamente desde julho de 2006, sejaefetivado como presidente. "O fato de hoje já foi devidamente precificado pelosmercados financeiros. É uma manchete política notável, mas nocurto prazo é um não-fato financeiro", disse Francisco Diez,diretor para mercados emergentes da RBC Capital Markets, deToronto. Apesar disso, investidores que operam em nichos comoturismo, tabaco, açúcar, mineração, infra-estrutura eeletricidade especulam sobre os desdobramentos desta nova eraem Cuba. O níquel foi a maior fonte de divisas para Cuba em 2007,rendendo 2,7 bilhões de dólares e superando o turismo, quearrecadou mais de 2,1 bilhões de dólares, segundo cifrascitadas em janeiro na TV estatal. Fidel, 81 anos, disse em artigo publicado na terça-feiraque não tem condições de assumir um novo mandato comopresidente. Analistas prevêem que seu irmão Raúl, de 76 anos,será efetivado pelo Parlamento, mas alguns especulam que umaliderança mais jovem pode surgir. (Reportagem adicional de Anthony Boadle em Havana eVivianne Rodrigues em Nova York)

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