Renuncio se esse for o preço para liberar reféns, diz comissário

Luis Restrepo adverte, no entanto, que este não é o foco para conseguir acordo humanitário com as Farc

EFE

24 de dezembro de 2007 | 15h18

 O Alto Comissário para a Paz do Governo colombiano, Luis Carlos Restrepo, disse nesta segunda-feira, 24,  que se o preço da libertação dos seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) for o seu cargo ele renuncia.   Mas Restrepo advertiu que esse não é o foco para conseguir um acordo humanitário, mas a posição das Farc, que estão pedindo coisas que são absurdas", como retirar a polícia de Pradera eFlorida e entregar-lhes o controle dos dois municípios e seus habitantes.    O alto funcionário do governo disse a uma rádio local que os membros da comissão de paz não devem negociar com a guerrilha nem ter boas relações com eles, pois seu papel é "representar adequadamente os interesses do Estado e do povo colombiano".   No último sábado, a  senadora colombiana Piedad Córdoba afirmou neste sábado que operações policiais que estariam sendo realizados na Colômbia poderiam atrasar a libertação dos reféns que devem ser entregues ao presidente da Venezuela Hugo Chávez.   "Há muitas operações policiais no país (Colômbia) e isso pode atrasar o processo. Devemos esperar até que haja condições. Temos que levar em conta a integridade e segurança dos reféns", disse Córdoba, em entrevista coletiva realizada no aeroporto de Caracas.   Piedad Córdoba - que atuou como facilitadora do acordo humanitário mediado por Chávez - afirmou que não sabe quando as duas mulheres e a criança serão libertadas. A expectativa era de que as três fossem entregues ainda antes do Natal.   "Não sei a data. Eu não tenho exército, nem polícia. Vou esperar a indicação do presidente Chávez que me dirá onde devo estar no momento (da libertação dos reféns)", afirmou.   'Desagravo'   Na terça-feira, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) disseram em um comunicado que libertariam, como um ato de "desagravo" a Chávez, três civis que mantêm seqüestrados: Clara Rojas, ex-chefe de campanha da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt; Emmanuel, o filho de Clara nascido em cativeiro; e a ex-parlamentar Consuelo González.   De acordo com as Farc, os reféns seriam entregues a Chávez ou a alguém indicado por ele. O presidente venezuelano está em Cuba desde quarta-feira, onde se reuniu com Fidel Castro, além de participar da Cúpula da Petrocaribe e de atos oficiais com o presidente em exercício, Raúl Castro.   Chávez volta para a Venezuela neste domingo, quando a operação de libertação dos reféns deverá ser ativada.   Libertação   A senadora colombiana indicou que apenas os três reféns anunciados pelas Farc deverão ser entregues, refutando suas próprias declarações feitas em Washington nesta semana, em que indicou que havia a possibilidade de que pelo menos 20 reféns fossem entregues. Córdoba afirmou que entregará a Chávez e ao chefe das Farc, Manuel Marulanda, cartas enviadas pelos congressistas americanos em apoio ao acordo humanitário.   Nos últimos dias, a imprensa venezuelana e a colombiana têm especulado acerca do local onde os reféns poderiam ser libertados. De acordo com o jornal El Tiempo de Bogotá, os três seqüestrados das Farc poderiam ser entregues ao presidente Hugo Chávez, no Estado venezuelano de Amazonas que faz fronteira com a Colômbia e o Brasil.   A imprensa venezuelana também indica que os reféns já poderiam estar em território venezuelano. A versão foi negada pelo vice-presidente da República, Jorge Rodríguez, que considerou que as especulações colocavam em risco a segurança dos seqüestrados.   (Com BBC)

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