Repetiria todas as decisões de meu governo, diz Cristina

Presidente argentina afirma que lançaria novamente medida que provocou o conflito com os ruralistas

Efe e Reuters,

02 de agosto de 2008 | 17h45

A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, declarou neste sábado, 2, que repetiria cada uma das decisões adotadas durante seus oito meses de gestão, incluindo a polêmica resolução que provocou o conflito no campo, que levou à maior crise política do país em cinco anos. "Voltaria a fazer todas e cada uma das coisas que fiz", afirmou Cristina, pouco depois de iniciar a primeira coletiva de imprensa convocada desde que assumiu o poder, em dezembro.   Veja também: Se eleição argentina fosse hoje, Cristina teria só 10% dos votos    A repetição, explicou, incluiria impulsionar a "resolução 125", medida que aumentou os impostos de exportação do setor agrícola e que resultou em quatro meses de embates com os ruralistas. A medida provocou perdas milionárias para o país.   A não-aprovação da resolução 125 no Senado, com o voto decisivo do vice-presidente argentino, Julio Cobos, expôs a fratura interna do governo, e levou à renúncia do chefe de Gabinete de Cristina, Alberto Fernández, considerado o "homem forte" do Executivo argentino.   Sem mudanças   Na coletiva, Cristina disse também que não planeja outras mudanças para seu gabinete, após os quatro meses de crise política. Perguntada se planeja mais alterações, ela respondeu que rapidamente que "não."   A presidente defendeu algumas das mais polêmicas figuras de seu gabinete, como o secretário de comércio, Guillermo Moreno, e pediu à imprensa que evite "satanizar" os funcionários.   "É preciso parar com esse drama, cada um é responsável pelas ações políticas que realiza (...) não vou adjetivar a decisão do vice-presidente", assinalou, referindo-se ao voto de Cobos que derrubou o aumento dos impostos para o campo.   Elogios ao Brasil   Cristina dedicou elogios à política industrial do Brasil e mencionou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chega neste domingo à Buenos Aires. Mas também marcou as dificuldades entre os dois parceiros nas negociações fracassadas em Genebra, no início dessa semana.   "É inédito a presença de uma delegação empresarial como a que traz Lula", disse. Cristina destacou que, em primeiro lugar, essa visita revela a firme convicção dos dois presidentes da necessidade de integração dos países e, segundo, que a Argentina é altamente atraente para investimentos.   Ela lembrou que a recuperação da indústria argentina teve início no governo de seu marido, Néstor Kirchner, em 2003, e a comparou com a brasileira. "Nós começamos a recuperar lentamente o processo de industrialização e se compararmos o desenvolvimento que tínhamos nos anos 40 com o Brasil, tínhamos uma política aeronáutica muito mais importante, mas hoje o Brasil tem uma empresa como a Embraer", comparou.   Segundo ela, o progresso da indústria se deve ao implemento de "políticas de Estado permanentes, independentemente dos governos."   Cristina comentou as posturas diferentes entre os dois países na Rodada Doha, ressaltando justamente como motivo os distintos níveis de desenvolvimento da indústria do Brasil e da Argentina.   Ela nessa questão comercial é preciso ser pragmático, sem dogmas nem ideologias. A questão, disse, é o quanto os países desenvolvidos estão dispostos a ceder e o quanto os emergentes querem ceder.   "A proposta feita não soa um bom negócio para os países emergentes e, principalmente, no caso da Argentina, com um grau de desenvolvimento industrial menor que o do Brasil", explicou.   Comando Kirchner   A presidente também desmentiu que seu governo é comandado pelo ex-presidente Kirchner. Em 2003, quando seu marido foi candidato e venceu as eleições, "todos diziam que quem ia ser a verdadeira presidente seria eu, que eu ia mandar e decidir, porque Kirchner era um pusilânime e não podia governar."   Kirchner era muito desconhecido, lembrou afirmando que "agora eu sou a débil, pusilânime e manejável". "Esses comentários e análises obedecem a uma visão enviesada e nós trabalhamos com a mesma visão e as mesmas idéias sobre a sociedade que queremos para a Argentina há anos."     (Com Marina Guimarães, da Agência Estado)  

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