Repórter do 'Estado' relata tensão para chegar a Honduras

Denise Chrispim e Wilson Pedrosa levaram oito horas para ir de El Salvador a Tegucigalpa, centro da crise

estadao.com.br,

23 de setembro de 2009 | 19h30

Na fronteira de El Salvador com Honduras, tráfego é intenso. Foto: Wilson Pedrosa/AE

 

TEGUCIGALPA - Com a tensão provocada pelo retorno do presidente deposto Manuel Zelaya a Honduras e as medidas tomadas pelo governo, como toque de recolher e fechamentos de aeroportos, entrar e sair do país centro-americano tornou-se uma aventura, como relata a repórter Denise Chrispim, que chegou nesta quarta-feira, 23, à capital Tegucigalpa junto com o fotógrafo Wilson Pedrosa. Ouça aqui a entrevista dada pela repórter do Estadão à Radio Eldorado nesta quinta-feira.

 

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Partindo de San Salvador, capital de El Salvador, foram oito horas de viagem para percorrer cerca de 400 quilômetros até Tegucigalpa, trajeto que normalmente demoraria cinco horas. Cruzada a fronteira, repórter e fotógrafo tiveram que convencer um motorista para atravessarem o país e chegar ao epicentro da crise em Honduras, cuja tensão política é sentida nas ruas desde o golpe de Estado que tirou Zelaya do poder, em 28 de junho.

 

Com medo, relata Denise, o motorista designado para a travessia hesitava em realizar o percurso. "Fomos em um carro até a fronteira de El Salvador com Honduras. Atravessamos a pé. Então, entramos em uma favela e ali encontramos o motorista que deveria nos levar, mas ele estava com medo, porque está ocorrendo muitos ataques a carros em Honduras", afirma a jornalista. Junto com o fotógrafo, ela teve de usar a retórica para concluir a missão. "Acabamos convencendo-o, entramos em uma caminhonete. Na caçamba foram dois amigos dele, como segurança."

 

A estratégia deu certo. Às 7h, no horário local, eles chegaram a Tegucigalpa. A viagem havia começado na noite de terça-feira, em Bogotá. De lá, seguiram para o Panamá e, por fim, El Salvador. A caminho do hotel, a jornalista afirma que a travessia foi tranquila.

 

Na fronteira, Denise diz que há um trânsito "extraordinário" de pessoas e veículos. Todos tentam cruzá-la antes do toque de recolher que vigora entre às 16h e 10h, estabelecido pelo governo hondurenho de facto desde a volta de Zelaya. "Mas isso não significa que o comércio de Honduras e El Salvador seja tão monumental", acrescenta a jornalista. "A linha que corta os dois países funciona para deslocamento de mercadorias que saem da Europa e América do Norte, com destino à Ásia. É uma rota alternativa para evitar o Canal do Panamá."

 

Em Tegucigalpa, Denise afirma que a população já está com medo de uma eventual falta de alimentos. Sem saber o desfecho da crise, o desespero toma conta - nesta terça-feira, as agências de notícias relataram diversos saques a supermercados e bancos. "Notei os supermercados lotados, carros tomando os estacionamentos, pessoas saindo com os carrinhos cheios. A tensão é grande."

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