Repórter francês diz que líderes das Farc estão prontos para paz

O jornalista francês Romeo Langlois, que ficou 33 dias como refém das Farc no sul da Colômbia, disse nesta quinta-feira que os comandantes da guerrilha querem a paz, embora os guerrilheiros estejam prontos para mais 50 anos de guerra porque desconfiam do Estado.

REUTERS

31 Maio 2012 | 18h30

Langlois revelou que é portador de uma mensagem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia para o presidente da França, François Hollande, e que o grupo rebelde quer a participação da comunidade internacional para um eventual processo de paz com o governo.

O jornalista, libertado na quarta-feira, afirmou que sua percepção é de que os líderes do grupo rebelde ativo mais antigo do continente querem explorar possibilidades de paz e estão dando alguns sinais neste sentido.

"Eles (o secretariado) querem movimentar coisas. As pessoas de nível mais alto pensam na paz, querem a paz, mas a guerrilha mais do que tudo tem certeza de que está muito, muito forte", afirmou o francês, acrescentando que as Farc têm apoio de camponeses em várias regiões da Colômbia e são um Estado paralelo.

"Eles estão preparados para manter a guerra 50 anos se preciso, até que se faça uma paz como eles pensam que se deve fazer a paz na Colômbia. Eles estão muito, muito desconfiados do Estado colombiano, que chamam de oligarquia, do governo", afirmou o repórter, referindo-se aos combatentes.

Os máximos dirigentes das Farc, consideradas como uma organização terrorista por Estados Unidos e União Europeia, estão há mais de 30 anos nas fileiras rebeldes, enquanto que a maioria dos combatentes são jovens recrutados à força ou voluntariamente pela falta de oportunidades, segundo analistas.

O jornalista, que viajou à França para se reunir com sua família, disse que voltará à Colômbia e não qualificou as Farc como um grupo terrorista.

"Para mim não tem bons nem maus nesse conflito, há gente pobre se matando entre si", concluiu.

Langlois, o refém de mais alto perfil desde a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, foi sequestrado na região de Caquetá, sul do país, em 28 de abril, durante confronto de uma unidade do Exército colombiano com rebeldes fortemente armados das Farc.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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