Repórteres sem Fronteiras acusam Chávez de censura

Organização diz que presidente venezuelano "cala a voz dissidente" e usa o fechamento da RCTV como exemplo

Efe,

19 de novembro de 2007 | 14h44

A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) e um grupo de intelectuais criticaram nesta segunda-feira, 19, a política do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que consideram restritiva para as liberdades.   Chávez viaja a Paris nesta segunda e na terça-feira se reunirá com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com um grupo de empresários, entre outras atividades. Por ocasião dessa visita, o secretário-geral da RSF, Robert Ménard, enviou uma carta a Sarkozy na qual lembra que o presidente venezuelano pôs diversos "obstáculos" à liberdade de imprensa durante o seu mandato.   Ménard assegurou que Chávez "fez calar toda voz crítica ou dissidente, para eliminar progressivamente toda forma de contra-poder" e citou como exemplos o fechamento da rede RCTV e o controle de "sete redes de televisão, 20 de rádio, uma operadora de telefonia e cerca de 60 jornais".   A RSF assegura que sua oferta de diálogo com as autoridades de Caracas foi respondida com uma "acusação grotesca e infundada de que a organização trabalha para a espionagem americana e busca organizar um golpe de Estado" no país.   Chávez também é criticado em um artigo publicado na edição do jornal francês Libération, assinado por vários intelectuais, como os escritores Mario Vargas Llosa e Carlos Alberto Montaner e os filósofos Bernard-Henri Lévy e André Glucksmann, entre outros. O artigo lembrou que a visita de Chávez ocorre a menos de duas semanas de um plebiscito para a reforma constitucional, feita "sem consulta e sem respeitar os procedimentos legais" e que favorece "a reeleição do presidente" e "suprime o controle dos poderes do Estado".   Os intelectuais criticaram o "desvio antidemocrático de um regime que está a caminho do totalitarismo" e afirmaram que os venezuelanos enfrentam hoje "o desaparecimento do Estado de Direito e do respeito às liberdades".

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