República Dominicana impede entrada de religiosos haitianos

Religiosos fariam encontro pela paz entre os dois países; proibição ocorreu após epidemia de cólera no Haiti

EFE,

24 de outubro de 2010 | 19h33

Religiosos haitianos denunciaram neste domingo, 24, que autoridades proibiram sua entrada no país, onde iriam participar de um encontro pela paz de ambos os países. A proibição ocorreu diante do aumento dos casos de cólera no Haiti.

 

A coordenadora do encontro religioso, Luz de Castro, disse à imprensa que obteve há um mês a permissão das autoridades locais "para que os irmãos haitianos cruzassem o território dominicano", mas que "num último momento" proibiram a entrada do grupo.

 

Diante da decisão oficial, os haitianos se concentraram às margens do rio Masacre, que separa o país da República Dominicana, e o mesmo fizeram os dominicanos que se localizam nas cercanias, especialmente nas regiões de "La Bomba", "La Javilla" e "El Pomar".

 

Segundo a coordenadora, o encontro religioso, que seria celebrado no local em que está sendo construído o mercado binacional, tinha como objetivo "eliminar" a prática do vodu no Haiti, assim como o tráfico de drogas e de pessoas, e clamar pela compreensão entre os governos das duas nações vizinhas.

 

René Paul Boció, um dos ativistas evangélicos haitianos que conseguiu cruzar o território dominicano por um breve período, disse a jornalistas que em seu país cresce um grande movimento que busca a eliminação da prática do vodu e da crença na bruxaria, que seriam atribuídos aos desastres que afetam a população haitiana.

 

As autoridades dominicanas adotaram uma série de medidas na fronteira com o Haiti diante da epidemia de cólera que afeta o país vizinho, matando até agora 253 pessoas. Entre essas ações se destaca a proibição da venda de alimentos cozidos procedentes do Haiti no mercado binacional, que ocorre às segundas e quintas-feiras na fronteira comum.

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