República Dominicana proíbe comércio de roupas usadas com o Haiti

Medida visa impedir propagação de cólera para o país vizinho, onde já existem casos suspeitos

AP,

15 de novembro de 2010 | 20h56

SANTO DOMINGO- A República Dominicana proibiu nesta segunda-feira, 15, o comércio de roupas usadas na fronteira com o Haiti para evitar a propagação da cólera que já causou cerca de 1.000 mortes no país vizinho.

 

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O ministro de Saúde dominicano, Bautista Rojas, explicou que a nova proibição é parte dos controles sanitários para impedir que a epidemia de cólera se espalhe no país, onde já foram reportados casos suspeitos ainda não confirmados por exames de laboratório.

 

O Ministério de Saúde precisou que ainda não existem provas de que a roupa possa transmitir a doença, mas prefere que o comércio seja proibido porque não há como controlar a higiene e a forma como ele é feito.

 

Luis García, porta-voz do ministério, detalhou que a medida busca "restringir a mobilidade" dos vendedores haitianos.

 

Após a reabertura dos mercados, que chegaram a ser fechados devido a epidemia, o governo dominicano limitou o acesso dos vendedores e compradores haitianos somente à zona delimitada como área para comércio.

 

Também está proibida a venda de comida caseira nos quatro principais mercados fronteiriços, que estavam fechados desde 25 de outubro e reabriram na última sexta devido a pressão de comerciantes de ambos os países.

 

Roupas e sapatos doados pelos EUA, Canadá e União Europeia após o terremoto de janeiro são os principais produtos vendidos pelos comerciantes haitianos nos mercados fronteiriços, realizados duas vezes por semana.

 

Após entrar na República Dominicana, a roupa usada é vendida em mercados de todo o país, especialmente em comunidades rurais, comércio estimado em mais de US$ 3 milhões por ano.

 

O mercado binacional de Dajabón, a cerca de 300 km a noroeste de Santo Domingo, abriu ao meio-dia desta segunda enquanto equipes de segurança dominicanas impediam os haitianos de vender vestimentas usadas e instalar suas barracas.

 

O governo dominicano havia tentado proibir a importação de roupas usadas na fronteira sem sucesso em 2002, mas os importadores pressionaram para o comércio ser mantido.

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