Resgate de reféns não assegura acordo comercial Colômbia-EUA

O dramático resgate de refénsmantidos durante anos sob o poder das Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia (Farc) não deve acelerar a eventualaprovação de um tratado de livre comércio entre o paíssul-americano e os EUA. "Politicamente, isso não está em jogo", afirmou PeterHakim, presidente do Diálogo Interamericano, um grupo queestuda questões relacionadas com o Hemisfério Ocidental.Soldados colombianos infiltrados nas Farc convenceram membrosdo grupo a permitir o transporte de reféns em um helicóptero doExército que estava disfarçado, conseguindo, na quarta-feira,libertar 12 colombianos, entre os quais a ex-candidata àPresidência da Colômbia Ingrid Betancourt, e trêsnorte-americanos. O resgate aumentou as esperanças do governo dos EUA de quea presidente da Câmara dos Deputados do país, Nancy Pelosi,reconsidere sua oposição ao tratado de livre comércio com aColômbia, marcando para breve uma votação sobre o acordo. "Uma da coisas que a preocupavam, segundo disse, era afalta de segurança na Colômbia", afirmou Dana Perino, porta-vozda Casa Branca. "Defendemos que, desde sua eleição, opresidente Uribe (Álvaro Uribe) fez um tremendo trabalho quantoa diminuir a falta de segurança na Colômbia", acrescentou. No entanto, apesar de Pelosi ter festejado o resgate, aação não contribuiu para diminuir as preocupações dela com aviolência de que são vítimas líderes sindicais colombianos,disse Nardeam Elshami, porta-voz da deputada. Além disso, a presidente da Câmara ainda considera que oCongresso e o governo do presidente George W. Bush devem seempenhar mais para estimular a economia norte-americana, antesde tratar do acordo comercial com a Colômbia, acrescentou. O resgate é "algo obviamente maravilhoso", afirmou TheaLee, diretora de política da confederação trabalhista AFL-CIO,um dos maiores opositores ao tratado de livre comércio entre osdois países. "De toda forma, isso não muda as críticas que temos arespeito dos problemas enfrentados pelos trabalhadorescolombianos, a violência atual, as ameaças de morte e aimpunidade", disse Lee. Somente neste ano, 31 líderes sindicais foram assassinadosna Colômbia, em comparação com 39 mortos em todo o ano de 2007,argumentou. A Casa Branca diz que o número de assassinatos caiu muitodesde que Uribe assumiu o poder, em 2002, e que adiar a votaçãodo tratado com a Colômbia prejudica em primeiro lugar osexportadores norte-americanos.

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