Reunião da Unasul não condiciona acordo com EUA, diz Bogotá

Colômbia confirma presença em encontro na Argentina que discutirá bases dos EUA em território colombiano

13 de agosto de 2009 | 13h35

O governo colombiano afirmou nesta quinta-feira, 13, que a presença do presidente Alvaro Uribe na reunião extraordinária da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que ocorrerá no próximo dia 28 na Argentina, "não implicará condições para o acordo entre Colômbia e Estados Unidos, que tem o objetivo de enfrentar com mais êxito o narcotráfico e o terrorismo. Em um comunicado de 5 linhas, o Executivo confirmou a presença de Uribe no encontro e, sem dar detalhes, afirmou que a agenda discutida será "diversa".

 

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A possibilidade de que a Colômbia participasse da reunião havia sido divulgada por fontes dos governos colombiano e argentino, mas ainda não havia sido confirmada oficialmente. A reunião, proposta pela presidente argentina, Cristina Kirchner, na última segunda-feira, ocorrerá em Bariloche e deve contar com a presença dos 12 chefes de governo dos países-membros da Unasul, que querem discutir com Uribe o controverso tratado, que permitirá o envio de militares dos EUA a até sete bases colombianas.

 

Bolívia, Equador e Venezuela já se declararam contra a eventual presença de militares norte-americanos na região. Já Brasil, Argentina e Uruguai demonstraram preocupação, no entanto, reconhecem a soberania do país nas relações exteriores. Chile e Peru, por sua vez, ratificaram seu apoio ao governo colombiano.

 

Funcionários dos ministérios da Defesa, do Interior e da Justiça, assim como representantes da chancelaria colombiana, estão em Washington finalizando os detalhes para o acordo. O comandante das Forças Armadas colombianas, general Freddy Padilla, afirmou na véspera que Bogotá e Washington devem terminar neste fim de semana a negociação do acordo.

 

Washington e Bogotá estão negociando um acordo para que os EUA utilizem bases colombianas para operações conjuntas na luta contra o tráfico de drogas, antes realizadas a partir da base equatoriana de Manta, cuja concessão não foi renovada por Quito. Segundo o acordo, os EUA poderão enviar até 1.400 homens - 800 soldados e 600 civis. O governo da Colômbia, no entanto, insiste em dizer que serão os colombianos que seguirão no comando, que controlarão as operações, o regulamento, a supervisão e a segurança física das bases.

 

Mesmo assim, os planos incomodam alguns presidentes da região, entre eles o da Venezuela, Hugo Chávez, que congelou as relações com a Colômbia e declarou que o acordo pode "causar" uma guerra na América do Sul". Em razão das críticas, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, visitou sete países latino-americanos na semana passada - entre eles o Brasil - para explicar o acordo. Uribe teve apoio do Peru e conseguiu amenizar o discurso da presidente do Chile, Michele Bachelet, mas ainda enfrenta forte oposição de três de seus vizinhos: Brasil, Venezuela e Equador.

 

Ministros da Defesa

 

O governo equatoriano, que exerce a da Unasul, confirmou a suspensão da reunião de chanceleres e de ministros da Defesa, programada para o próximo dia 24 e que discutiria a presença militar dos EUA na Colômbia. Antes de tal confirmação, a Chancelaria da Colômbia informou, que não enviaria representantes à reunião, esclarecendo que esta nação não oferece garantias à sua delegação. Colômbia e Equador não mantêm relações diplomáticas desde 2008, após uma incursão ilegal colombiana contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano.

 

O ministro das Relações Exteriores do Equador, Fander Falconí, esclareceu que tal reunião não será necessária, já que os líderes sul-americanos se reunirão no próximo dia 28 na Argentina e que o acordo negociado entre Estados Unidos e Colômbia será discutido no dia 28 de agosto em Bariloche, "por isso, não há necessidade do encontro prévio de ministros da Defesa e das Relações Exteriores, proposto num primeiro momento", disse Falconí.

 

Uma fonte do Conselho de Defesa Sul-Americano declarou que será acordada uma nova data para a reunião ministerial, que deverá ser anunciada pelos governantes dos 12 países-membros do bloco.

 

EUA

 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prorrogou a ajuda americana ao programa de interdição aérea contra o narcotráfico na Colômbia, após constatar que este país adotou medidas para proteger a vida de inocentes. O anúncio foi feita pela Casa Branca, que, em nota, destacou que

não há registros de "casos de uso de força letal contra aviões civis inocentes nem de mortes".

 

A determinação de Obama responde à cláusula 1012 de uma lei de defesa de 1995, na qual o Executivo deve "certificar" a necessidade de manter o programa de interdição aérea "devido à extraordinária ameaça" do narcotráfico para a segurança nacional da Colômbia. Por lei, o Executivo também deve certificar que a Colômbia criou medidas para evitar a morte de inocentes, durante a execução do programa de vigilância contra os narcotraficantes. Essas medidas devem incluir, pelo menos, "um método eficaz" para identificar as aeronaves e emitir advertências antes de recorrer ao uso da força, caso seja necessário.

 

Além disso, o Pentágono afirmou que o acordo de cooperação militar negociado entre os Estados Unidos e a Colômbia "não tem fins bélicos" e é uma continuidade de um esforço de colaboração "contra o narcotráfico e o terrorismo". "Este acordo não tem nenhum fim bélico. Nosso acesso a estas bases colombianas não tem nada de ofensivo, capacidade militar ofensiva de nenhuma índole", afirmou o subsecretário adjunto de Defesa para o Hemisfério Ocidental, Frank Mora, em entrevista concedida à Agência Efe.

 

"Não vamos ter nestas bases nenhuma capacidade para projetar uma operação militar de nenhuma índole", assegurou. O acordo em negociação, que permitirá que militares americanos utilizem até sete bases na Colômbia, gerou críticas, especialmente dos países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), que o veem como uma ameaça.

 

"Não queremos esconder o que estamos negociando, simplesmente queremos finalizar os elementos do acordo, antes de publicá-lo", enfatizou Mora. O alto funcionário disse que é preciso evitar que "exageros e declarações" cheguem à opinião pública, que qualificou de "inválidas".

 

O Governo colombiano acredita que o acordo, que não requer a aprovação do Legislativo americano, possa se concretizado neste fim de semana. Mas, segundo analistas, o acordo, uma vez fechado, demoraria algumas semanas para ser aplicado.

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