Reunião põe à prova a real utilidade da Unasul

Capacidade de distender as tensões políticas pode determinar futuro da recém-criada organização

João Paulo Charleaux, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2009 | 08h14

 O encontro da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), hoje, em Bariloche, terá uma meta modesta: não piorar ainda mais as coisas. "Os conflitos que estão sobre a mesa hoje são muito mais ameaçadores para a região do que o único teste que a Unasul havia enfrentado até agora", disse ao Estado a analista colombiano-americana Arlene Tickner, da Universidad de los Andes, em Bogotá.

 

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Ela se refere ao "batismo de fogo" imposto à organização logo depois de sua criação, em março, quando observadores da Unasul investigaram a morte de 13 camponeses no Departamento (Estado) de Pando, na Bolívia, em choques entre governistas e opositores.

No entanto, a complexidade do caso boliviano não se compara aos desafios atuais. "Desta vez, é muito pior. O acordo militar entre Washington e Bogotá acirrou várias tensões latentes na região e dependerá fortemente do Brasil a chance de mediação e o controle dos danos", disse Arlene. "Se o clima não piorar durante a reunião de Bariloche e todos saírem sorrindo na foto, já terá sido um êxito."

A Unasul foi criada em março de 2008 como uma das iniciativas mais ambiciosas da política externa brasileira. Dos 12 países que compõem o bloco - toda a América do Sul, exceto a Guiana Francesa -, a Colômbia foi o único que relutou em aderir.

O motivo não estava precisamente na Unasul, mas na criação de um órgão anexo que pretendia concentrar o debate militar na região: o Conselho de Defesa Sul-Americano.

Na prática, a Unasul apenas substituiu a Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), estabelecida em dezembro de 2004. Já o seu Conselho de Defesa tem uma proposta mais ousada: fechar um círculo de colaboração militar sul-americano que prescinda da participação dos EUA.

"O Conselho de Defesa era a única inovação em relação à Casa, mas se você considerar que o primeiro impasse militar da região (o acordo sobre o uso de bases colombianas pelos EUA) não será discutido no conselho, pode-se perguntar qual é, então, a grande novidade da Unasul em relação à Casa e qual a utilidade do conselho de defesa, afinal", disse Arlene.

Os ministros de Defesa da América do Sul planejavam encontrar-se na segunda-feira para discutir o acordo sobre as bases, mas a reunião foi suspensa e o tema retirado do âmbito do conselho.

Para Bertha Gallegos, especialista em defesa da Universidade Católica de Quito, no Equador, no momento em que a ideia de um sistema internacional harmônico está sendo questionada em todo o mundo, o encontro de hoje será um divisor de águas para a Unasul. "Todos estarão de olho em Bariloche, querendo saber se a região é capaz de solucionar sozinha seus próprios problemas."

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