Rice diz que TLC com Colômbia tem proteções trabalhistas

A secretária de Estado americana encerrou sua visita a Medellín, depois de se reunir com o presidente

EFE

26 de janeiro de 2008 | 00h44

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou nesta sexta-feira na cidade de Medellín que foram incorporados ao Tratado de Livre-Comércio (TLC) assinado com a Colômbia "fortes" proteções ambientais e referentes às questões Trabalhistas. Ela encerrou sua visita a Medellín (noroeste), de menos de 26 horas, depois de se reunir com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e com membros de seu gabinete para repassar assuntos de segurança, combate ao tráfico de drogas e as tensas relações entre Colômbia e Venezuela. "Quero assegurar que possuem um grande amigo nos Estados Unidos. O Governo do presidente (americano George W.) Bush acredita firmemente que o TLC que assinamos proporciona boas proteções para o meio ambiente e aos assuntos trabalhistas", disse em entrevista coletiva antes de retornar a Washington. A secretária americana ressaltou que estas proteções são "das mais fortes que foram incorporadas a algum acordo" comercial dos Estados Unidos com outro país. Rice destacou que durante o encontro com Uribe foram abordados os direitos trabalhistas, o principal ponto de discórdia com a maioria democrata no Congresso, que exige da Colômbia melhorias em matéria de direitos humanos e garantias sindicais antes de ratificar o acordo comercial entre ambas as nações. "Pudemos falar dos direitos trabalhistas e nunca achamos que seu Governo não estivesse disposto a responder às perguntas difíceis e quero dizer que conhecemos líderes sindicalistas, uns que se opõem ao TLC e outros que estão a favor", acrescentou. A chefe da diplomacia dos EUA visitou Medellín acompanhada do secretário de Estado Adjunto para Assuntos Econômicos, Energéticos e de Negócios, Daniel Sullivan, e dos subsecretários de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, e para Assuntos Legislativos, Jeffrey Bergner. No país "há pessoas que apóiam o TLC e outras que não, (...) a questão agora é que o Governo dos Estados Unidos está propondo a ratificação deste acordo no Congresso e por isso é importante trazer toda esta gente aqui", disse Rice, em alusão aos nove congressistas democratas que também a acompanham. Sobre as tensas relações entre Bogotá e Caracas, ela afirmou que o Governo americano não faz um "exame político" para seus amigos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva "é um bom amigo, a chefe de Estado (chilena Michelle) Bachelet é boa amiga, o governante (Tabaré) Vásquez, do Uruguai, também, e eles vêm do espectro de esquerda", lembrou. Uribe agradeceu Rice por sua presença na Colômbia e indicou que a aprovação do TLC é um imperativo para dar continuidade à sua estratégia de segurança democrática. "Nós sabemos que não estamos em um paraíso. (Sabemos) Que temos muitos problemas por resolver. Avançamos, mas restam muitas coisas a fazer", reconheceu. Ele acrescentou que estão "dispostos a não perder um só minuto para que o país avance em três objetivos: segurança a partir da democracia, investimento a partir da responsabilidade social e coesão social a partir das liberdades". Um grupo de guerrilheiros e paramilitares desmobilizados se reuniu horas antes com a secretária americana em um parque de ciência e tecnologia de Medellín. Eles relataram suas experiências na vida civil e os programas de reincorporação empreendidos pelo chefe de Estado colombiano. Participaram da reunião cerca de vinte desmobilizados que também se mostraram otimistas por terem expressado à secretária de Estado os avanços obtidos e sua visão do processo de paz que mantiveram com o Governo de Uribe entre 2002 e 2006. A comitiva, acompanhada pelo prefeito da cidade, Alonso Salazar, chegou ao Parque Explora fortemente escoltada por trinta veículos e motos da Polícia, além de uma ambulância e de um helicóptero que acompanham de perto todas as paradas da funcionária americana.  Ela visitou em seguida um cultivo de flores na localidade de Rionegro, falou com os floricultores e posteriormente esteve em uma fazenda, onde ouviu famílias deslocadas pelo conflito na Colômbia e conheceu seus projetos produtivos. Antes de visitar o parque e os cultivos, Rice se reuniu com sindicalistas que apóiam um TLC com os Estados Unidos, acolhida bem diferente da que recebeu na quinta-feira à noite, quando se encontrou com líderes operários que questionam o acordo e que lhe manifestaram sua rejeição.

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