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Rice reconhece esforço do Brasil em impasse na América do Sul

Secretária de Estado dos EUA pede que países policiem fronteiras e defende reforma do Conselho da ONU

Agências internacionais,

13 de março de 2008 | 13h55

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, elogiou os esforços do Brasil durante a crise diplomática na América do Sul durante entrevista coletiva concedida em Brasília nesta terça-feira, 13, ao lado do chanceler Celso Amorim. Rice afirmou que o País desempenhou papel importante nos acontecimentos da região e que os EUA se orgulham de serem parceiros da Colômbia e em ajudar a proteger a nação do narcotráfico, mas não consideram que o conflito Equador e Colômbia esteja plenamente resolvido.  Veja também:Rice chega a Salvador para encontro com Gilberto GilManifestantes da UNE recebem Rice em Brasília  Em entrevista no Itamaraty, Rice afirmou que este é o momento de os países da América do Sul criarem um sistema de segurança que cubra todas as suas fronteiras e disse que os Estados Unidos serão "parceiros nessa iniciativa". Segundo ela, os Estados hoje estão obrigados a fazer tudo o que é possível para evitar que terroristas usem outros territórios ou mecanismos de financiamento para suas atividades. "As fronteiras são importantes, mas não podem ser usadas como um esconderijo para terroristas, que depois vão matar civis inocentes", afirmou. Ao lado do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, Rice mostrou-se ciente de que o Brasil oficialmente não declara as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) como um grupo terrorista, mas age como se a considerasse assim. Questionada sobre essa posição brasileira, Rice afirmou que a Colômbia claramente elogiou os esforços brasileiros "para liberar a região daqueles que matam civis inocentes". "Não há dúvidas da posição do Brasil", acrescentou. Rice também, deixou claro que os EUA apóiam a iniciativa de consolidação do Conselho Sul-americano de Defesa e disse que não vê problemas nessa iniciativa e na liderança do Brasil nesse processo. Durante a coletiva, Rice afirmou ainda que os Estados Unidos serão sempre a favor da cooperação regional, já que o que o interesse de Washington é promover a prosperidade, a democracia e o livre-comércio regional, sem nenhum tipo de teste ideológico. Segundo Rice, o governo americano trabalha bem com qualquer Estado que haja de forma responsável com questões econômicas, democráticas e com a sua segurança e que o presidente George W. Bush não tem problemas em trabalhar com presidentes de esquerda, como Lula e a presidente chilena, Michele Bachelet. Durou cerca de 40 minutos o encontro da secretária de Estado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto. Ao chegar para a audiência, Condoleezza teve que aguardar 10 minutos, no mezanino, para ser recebida pelo presidente.  Conselho de Segurança Em sua quarta visita ao Brasil, a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice não trouxe ao governo Luiz Inácio Lula da Silva o apoio americano para que o País assuma uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Questionada se os esforços do Brasil na solução da crise Colômbia e Equador e no Haiti não credenciariam o Brasil para essa posição, Rice afirmou apenas que atribui grande valor às iniciativas brasileiras nesses dois campos.  "Não poderíamos ter feito o que fizemos no Haiti sem a participação do Brasil nas forças da ONU e sem o seu empenho diplomático", afirmou. "O Brasil teve um papel importante nos eventos recentes da região. É uma grande democracia multiétnica que deveria desempenhar papel importante nas questões mundiais e regionais", concluiu. Ela lembrou, entretanto, que o único compromisso assumido pelos EUA nessa área foi com o Japão. Rice reconheceu a necessidade da reforma do Conselho, apesar de afirmar que a posição de Washington sobre questão é bastante conhecida. Ela afirmou ainda que com esforços suficientes e boas idéias, a discussão sobre o tema avançará. O desempenho diplomático e militar do Brasil no Haiti e na recente crise envolvendo Equador e Colômbia está "amolecendo" a posição dos EUA sobre o Conselho de Segurança. Em público, nos fóruns internacionais, o governo americano ainda resiste à idéia de uma ampla reforma do CS e apóia apenas a inclusão do Japão como novo membro permanente. No bastidor, há sinais de que o governo americano poderá aceitar a ampliação do número de membros plenos. Atualmente, o Conselho Permanente é formado por cinco membros (EUA, Rússia, Reino Unido, França e China) com direito a veto. Outros dez países integram o plenário, mas como membros rotativos, com mandato de dois anos. Mesmo mantendo o direito de veto exclusivo aos chamados "cinco grandes", os governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush concordam que países de longa e sólida tradição em mediações diplomáticas são úteis para formar consensos no plenário do Conselho de Segurança da ONU.  (Com Tania Monteiro, Denise Chrispim Marin  e Rui Nogueira, de O Estado de S. Paulo) Matéria ampliada às 14h55.

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