Ritmo de redução da fome na América Latina está diminuindo, diz FAO

Segundo agência da ONU, crescimento econômico mais fraco e elevados níveis de desigualdade contribuíram

Reuters

22 de novembro de 2012 | 12h48

SANTIAGO - Cerca de 49 milhões de pessoas passavam fome na América Latina e no Caribe entre 2010 e 2012, indicando um ritmo mais lento de redução da fome devido ao crescimento econômico mais fraco e aos elevados níveis de desigualdade, disse uma agência das Nações Unidas nesta quinta-feira, 22.

A região dependente de exportações está passando por um boom conduzido pelas commodities, mas uma desaceleração na China, parceiro comercial importante, e a distribuição de renda desigual prejudicaram os esforços para combater a fome, disse a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em um relatório.

Cerca de 8,3% dos habitantes da região não recebem as calorias necessárias diariamente para manter uma vida saudável, alertou a FAO. Haiti, Guatemala, Paraguai, Bolívia e Nicarágua têm as maiores taxas de fome.

Entre 2004 e 2006, cerca de 54 milhões de pessoas na região estavam com fome, número que caiu para 50 milhões entre 2007 e 2009. "Embora a tendência de redução da fome continue, ela está diminuindo o seu ritmo, o que é consistente com a desaceleração do crescimento econômico registrado pelos países da região", acrescentou o relatório.

As economias da América Latina e do Caribe cresceram 6% em 2010, mas essa taxa deve ter diminuído para 3,2% este ano, de acordo com o órgão econômico das Nações Unidas para a América Latina. Commodities - incluindo soja, trigo e milho - permanecem a espinha dorsal de muitas das economias da região.

"Em 2012, o crescimento econômico da região não se traduziu em uma redução na vulnerabilidade a que parte da população do continente é exposta", disse Raul Benitez, representante da FAO para a região. Os preços dos alimentos também ameaçam as famílias mais pobres e vulneráveis da região, afirmou a agência.

No período de junho a agosto, os preços médios do milho subiram 25%, os preços médios de grãos de soja aumentaram 20% e os preços médios do trigo subiram 26%, segundo a FAO. "Em sociedades com alta desigualdade, tais como América Latina e Caribe, os choques nos preços dos alimentos têm efeitos graves sobre aqueles em situação de extrema pobreza", acrescentou o relatório.

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