Reuters
Reuters

Rivais na eleição da Venezuela entram em confronto por criminalidade

Maduro prometeu ir a pé às favelas mais perigosas de Caracas e pedir às gangues para baixar armas

Reuters

18 de março de 2013 | 13h22

CARACAS - Momentos depois de ter se registrado para concorrer na eleição de 14 de abril da Venezuela, o presidente em exercício Nicolás Maduro prometeu ir a pé, desarmado, para as favelas mais perigosas de Caracas e pedir às gangues para baixar as armas.

Tanto Maduro quanto seu adversário, Henrique Capriles, já se confrontaram sobre um tema importante de campanha: os assassinatos diários, assaltos armados e sequestros que fazem do país sul-americano um dos mais perigosos do mundo.

"Vamos assim, com o peito nu!", disse Maduro no evento de campanha, abrindo seu casaco com a bandeira da Venezuela para revelar uma camiseta vermelha estampada com os olhos do líder falecido Hugo Chávez. "Nós vamos sem medo de dizer a esses jovens para parar a matança, para abandonar as armas, para vir a Cristo Redentor!"

Temores sobre a segurança pessoal rotineiramente lideram as pesquisas das preocupações dos eleitores do país com as maiores reservas mundiais de petróleo, apesar dos muitos programas iniciados por Chávez durante seus 14 anos de governo serem destinados a derrubar os números de homicídios.

Em um relatório na semana passada, o Programa de Desenvolvimento da ONU disse que apenas Honduras, El Salvador, Costa do Marfim e Jamaica tiveram taxas piores do que a da Venezuela, de 45,1 assassinatos por 100 mil pessoas. A taxa nos Estados Unidos foi de 4,2.

O governo venezuelano admite que o país sofre mais crimes violentos do que a maior parte da região. Mas acusa os políticos de oposição de exagerar o problema e descaradamente alimentar temores para manchar a "revolução" socialista de Chávez.

Capriles, de 40 anos, governador centrista que acusa Maduro de explorar a emoção com a morte de Chávez em 5 de março, em um esforço para ganhar a eleição, deu início a uma turnê pelas províncias no fim de semana.

Ele chama Maduro de uma imitação pobre de Chávez. "Você acha que Nicolás vai resolver o problema da violência? Não é abrindo o seu casaco e dizendo 'eu sou o Super-Homem e estou indo para não sei onde'", disse Capriles.

"Eu gostaria de deixar minha casa às 23h, meia-noite, para que meus filhos possam sair e eu não ficar com medo. Podemos fazer isso hoje? Podemos viver assim? Não."

JUDICIÁRIO FRACO

Na raiz do problema criminal do país, dizem especialistas, está a proliferação de armas de fogo e drogas, e um sistema de Justiça fraco, o que significa que a maioria dos crimes fica impune.

Entre a onda de ataques a vítimas de destaque, estão os sequestros de um jogador da liga principal de beisebol dos EUA e diplomatas de México, Chile, Belarus e Costa Rica nos últimos meses.

O governo diz que houve 16 mil homicídios em todo o país no ano passado. Organizações não-governamentais citam um dado maior. O Observatório da Violência da Venezuela disse que sua estimativa conservadora para 2012 foi de mais de 21 mil assassinatos. Sem dados detalhados das autoridades, não é possível confrontar os números.

Os mais atingidos pelas gangues de criminosos são os moradores de áreas pobres, que vivem em favelas onde o falecido presidente encontrava seus seguidores mais fervorosos.

Os eleitores raramente responsabilizam Chávez pessoalmente pela alta taxa de criminalidade. Alguns o viam quase como um membro da família, outros quase em termos religiosos. Maduro está tentando criar o mesmo tipo de vínculo emocional, mas não tem o carisma de Chávez.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.