Rival de Chávez minimiza risco de assassinato na Venezuela

O líder oposicionista venezuelano Henrique Capriles qualificou nesta terça-feira de irresponsável o alerta do governo sobre um plano para assassiná-lo, o que tumultuou ainda mais a já volátil campanha para a eleição presidencial de outubro.

ANDREW CAWTHORNE, REUTERS

20 de março de 2012 | 11h48

O presidente Hugo Chávez fez a surpreendente denúncia na noite de segunda, insinuando que membros da oposição estariam dispostos a matar o candidato, que tentará impedir que Chávez obtenha um novo mandato presidencial.

"A declaração do candidato do Partido Socialista (Chávez) beira o irresponsável, como esse governo é com a insegurança com a qual as pessoas precisam conviver", disse Capriles, um governador centro-esquerdista de 39 anos, pelo Twitter. No mês passado, ele foi escolhido numa eleição primária como o candidato único da oposição à Presidência.

A campanha promete ser a mais acirrada no país desde que Chávez chegou ao poder, 13 anos atrás, e o clima já tem sido tenso nas últimas semanas.

No começo do mês, governo e oposição se acusaram mutuamente por tiros disparados durante uma visita de Capriles a um bairro pobre de Caracas. Membros do governo se referem ao rival como "porco", "burguês" e "pequeno ianque". Já os adversários de Chávez frequentemente o chamam de "ditador".

O presidente passou neste mês por uma cirurgia para a retirada de um câncer e deve iniciar uma radioterapia nos próximos dias. O tratamento provavelmente o enfraquecerá durante a campanha, e há rumores em alguns círculos de que o presidente pode estar no fim da vida.

Capriles, que afirma ter a centro-esquerda brasileira como modelo, disse que os rumores sobre seu assassinato são uma manobra do governo para desviar a atenção dos problemas cotidianos do país, como a criminalidade.

"Nossa gente há anos vive com insegurança, violência, falta de paz", disse Capriles em outra mensagem no Twitter. "Minha luta é por um país sem violência, e vamos conseguir!"

O governador rejeitou a oferta de proteção policial feita por Chávez. "Um presidente não deveria 'oferecer' proteção a um venezuelano, ele deveria garanti-la para todos", declarou.

Chávez deu poucos detalhes sobre o suposto complô, revelado durante um telefonema à TV estatal, mas disse que o chefe da inteligência nacional se reunirá com assessores de Capriles "porque há algumas informações por aí de que querem matá-lo".

O presidente disse que o plano não parte de seguidores do governo e sim de criminosos ligados à oposição, interessados em causar instabilidade.

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