Rojas envia mensagem a reféns e critica crime contra a humanidade

Rojas também relatou que em janeiro de 2005 foi separada de Emmanuel, o seu filho que nasceu na floresta

EFE,

12 de janeiro de 2008 | 03h25

A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Clara Rojas, libertada nesta quinta-feira, 10, após quase seis anos de cativeiro, enviou uma mensagem de ânimo aos que continuam em poder dos rebeldes e afirmou que o seqüestro é um crime contra a humanidade.  "Coragem. Vocês estão nas nossas almas. Deus queira que recuperem a liberdade no menor tempo possível. Estaremos aqui para recebê-los", disse, na sua primeira entrevista coletiva desde que recuperou a liberdade.  Nas declarações aos jornalistas, num salão do hotel de Caracas onde está hospedada, Clara Rojas relatou momentos de seu cativeiro, como sua gravidez e o nascimento de seu filho, Emmanuel. Além disso, também falou sobre os últimos dias antes da sua libertação.  Rojas formava uma chapa com a ex-candidata à Presidência colombiana Ingrid Betancourt, também seqüestrada pelas Farc em 2002. Ela contou que não viu o vídeo apresentado como prova de que a ex-companheira está viva, divulgado recentemente, mas soube que nas imagens a política franco-colombiana aparece acorrentada.  "Isso me dói profundamente. Eu me preocupo com a sua saúde e seu desânimo crônico", disse, sobre Betancourt. Em seguida, expressou seu desejo de que ela seja libertada em breve, "da mesma forma que todas as outras pessoas, algumas das quais estão doentes".  Sobre a proposta do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de se retirar as Farc das listas de grupos terroristas, Rojas respondeu que a organização "em princípio parece criminosa". Além disso, "mantém pessoas seqüestradas", o que constitui "um crime contra humanidade", acusou.  "Eles se dizem parte de um Exército do povo, mas mantêm pessoas seqüestradas. O seqüestro é uma violação total da dignidade humana", criticou.  Rojas também relatou que em janeiro de 2005 foi separada de Emmanuel, o seu filho que nasceu na floresta em 16 de abril de 2004. Sobre o pai, um guerrilheiro, disse não saber nada. Apenas acredita que ele morreu de leishmaniose, doença provocada por um parasita.  A refém pediu aos chefes guerrilheiros das Farc que entregassem a criança à avó, em Bogotá, através do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Mas "nunca mais" teve notícias dele até dezembro, quando soube pelas emissoras de rádio que seria libertada com ele e com a ex-congressista Consuelo González de Perdomo.  Depois, no dia 31 de dezembro, soube das declarações do presidente colombiano, Álvaro Uribe, afirmando que o menino se encontrava sob os cuidados de um órgão assistencial colombiano.  Rojas disse que ainda não decidiu com seus parentes quando voltará a Bogotá. Ela revelou que falou por telefone com a diretora da instituição onde está Emmanuel. O reencontro com seu filho possivelmente acontecerá ainda em janeiro.  Segundo a funcionária, o processo de adaptação será "fácil", já que o menino é "feliz, doce e amoroso, e se desenvolveu graças à atenção integral de um lar substituto".

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