Ruralistas argentinos levam suas queixas ao Congresso

Os produtores rurais argentinos sereuniram na terça-feira com parlamentares governistas natentativa de obter mudanças na política setorial, enquanto odiálogo com o governo continua rompido depois do extensoconflito deste ano, que gerou uma grave crise política. Em julho, os ruralistas conseguiram que o Congressoderrubasse um polêmico imposto agrícola, mas a presidenteCristina Kirchner mantém desde então congeladas as suasrelações com o campo. Na terça-feira, os fazendeirossolicitaram uma reunião com a presidente. No Congresso, eles pediram ajuda a pequenos produtores eaos setores da pecuária e laticínios, que passam por uma crise. "A situação, se mudou alguma coisa, foi para piorar.Propomos hoje uma urgente reunião à presidente da nação", dissea uma TV local o dirigente ruralista Eduardo Buzzi, presidenteda Federação Agrária Argentina, uma das quatro entidadesmobilizadas contra o governo. Ele se queixou do aumento dos custos e da queda dos preçosinternacionais nos últimos meses. Já Luciano Miguens, presidente da poderosa Sociedade RuralArgentina, se mostrou otimista depois do encontro com osparlamentares. "Tocamos em todos os temas dessa agenda tãogrande que tem hoje o setor agropecuário, [e recebemos] apromessa de que cada um desses temas será analisado", disse. Pouco antes do encontro no Congresso, o governo afirmou quenão reduzirá o imposto sobre a exportação de soja, cujaalíquota é de 35 por cento. "Hoje em dia não estão dadas ascondições para reduzir as retenções", disse o secretário deAgricultura, Carlos Cheppi, à imprensa local. As relações do governo com o setor rural são tensas de 2003(época em que o presidente era Néstor Kirchner, marido deCristina), por causa das intervenções periódicas para evitaraltas nos preços domésticos dos alimentos. A crise se agravou em março, quando Cristina tentou aplicaro imposto que afetava principalmente as exportações de soja. Os bloqueios rodoviários e as greves realizadas durantequatro meses de protestos provocaram desabastecimentos no paíse também afetaram os mercados mundiais. (Reportagem adicional de Lucas Bergman)

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