Rússia anuncia envio de navios militares à Venezuela

Esquadra fará exercícios com embarcações venezuelas; Chávez se diz 'aliado estratégico' de Moscou

Agências internacionais,

08 de setembro de 2008 | 16h09

A Rússia anunciou nesta segunda-feira, 8, que enviará uma esquadra naval ao Caribe para participar de manobras conjuntas com a Marinha da Venezuela, o que alguns analistas interpretaram como uma resposta à aproximação das estruturas militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) às fronteiras russas. O porta-voz da Marinha da Rússia, capitão de navio Igor Digalo, anunciou que navios russos farão manobras conjuntas com embarcações venezuelanas em águas do Atlântico.   "Os navios realizarão uma série de exercícios, entre eles manobras conjuntas de busca e salvamento no mar, assim como testes de telecomunicações", disse o capitão de navio, citado pela agência russa Interfax.   Antes, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou em seu programa de TV Alo Presidente a possibilidade de serem realizados exercícios militares conjuntos em nas águas do Caribe. Chávez observou que a manobra militar está ainda em fase de planejamento, mas a expectativa era de que os exercícios navais ocorressem no fim de novembro. O líder venezuelano também reiterou que seu governo é "aliado estratégico" da Rússia.   Ainda nesta segunda, o representante oficial do Ministério de Exteriores, Andrei Nesterenko, informou que a Rússia enviará, provisoriamente, aviões a uma base aérea venezuelana, cujo nome não especificou. Nesterenko disse que os navios que participarão da travessia são o cruzeiro nuclear "Piotr Veliki" e a fragata anti-submarino "Admiral Chabanenko", uma embarcação de resgate e um navio-cisterna.   No sábado, o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, expressou a irritação de Moscou com a presença de navios da Otan em águas do Mar Negro, os quais acusou de fornecer armamento à Geórgia sob a bandeira de assistência humanitária.   Os Estados Unidos, que consideram a Geórgia seu principal aliado no Cáucaso, anunciaram que destinarão US$ 1 bilhão a um plano de assistência humanitária a Tbilisi para a recuperação da economia do país, após o recente conflito armado com a Rússia pela Ossétia do Sul.   Para Dmitri Orlov, diretor da Agência de Comunicações Políticas e Econômicas, "os planos de cooperação militar com a Venezuela significam que a Rússia aumentará sua influência e possivelmente, na medida do possível, sua presença militar em diferentes regiões do mundo".   "A crescente atividade da Rússia neste sentido não significa que Moscou vá desenvolver uma política antiamericana agressiva. Simplesmente, a Rússia dará os passos que considerar necessários para a defesa de seus interesses geopolíticos", disse Orlov, citado pelo jornal digital Newsru.com.

Tudo o que sabemos sobre:
RússiaVenezuela

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.