Rússia assina acordo para perdoar US$29 bi da dívida cubana da era soviética

Rússia e Cuba assinaram discretamente um acordo para anular 90 por cento da dívida cubana de 32 bilhões de dólares com a extinta União Soviética, encerrando uma disputa de 20 anos e abrindo caminho para mais investimento e comércio, disseram diplomatas russos e europeus.

MARC FRANK, Reuters

09 de dezembro de 2013 | 21h05

As duas partes anunciaram o acordo para pôr fim às divergências sobre a dívida no começo deste ano e o finalizaram em outubro, em Moscou.

Cuba teria de pagar 3,2 bilhões de dólares ao longo de dez anos em troca de a Rússia perdoar o restante da dívida, cujo total é de 32 bilhões de dólares (20 bilhões de dólares, mais taxas e juros), disseram diplomatas.

O acerto ainda tem de ser aprovado pela Câmara Baixa do Parlamento russo (a Duma).

Ainda estão em andamento as negociações sobre o modo como Cuba irá pagar o valor remanescente, segundo diplomatas, já que mesmo 320 milhões de dólares por ano representam uma larga soma para um país sem recursos, que sofre há décadas com um embargo econômico dos Estados unidos.

O total da receita de exportações de Cuba é de cerca de 18 bilhões de dólares, incluindo turismo e serviços médicos e educacionais.

Nenhum dos dois países fez qualquer comentário oficial sobre o acordo para a dívida. Autoridades cubanas não estavam disponíveis de imediato para comentar o assunto.

Cuba declarou moratória da dívida no fim dos anos 1980, mas recentemente vem tentando reestruturar antigos débitos para melhorar sua credibilidade internacional.

Durante uma visita a Cuba em fevereiro, o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, assinou um acordo geral para definir uma fórmula e resolver o problema da dívida antiga até o ano que vem. A decisão irritou outros países membros do Clube de Paris, formado por nações credoras, porque passou ao largo da abordagem coletiva da organização.

CLUBE DE PARIS

O Clube de Paris é um grupo informal de governos credores, incluindo Canadá, França, Alemanha, Japão, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos, bem como algumas pequenas nações europeias.

Segundo o Clube de Paris, Cuba devia a seus membros 35 bilhões de dólares no fim de 2012, valor hoje estimado em 37 bilhões de dólares, o que deixaria a ilha devendo de 5 bilhões a 6 bilhões de dólares para os membros não soviéticos do clube.

A organização tem um grupo de trabalho para Cuba, que não inclui os EUA.

A Rússia se comprometeu a trabalhar com Cuba para conseguir um acordo com o Clube de Paris, como parte do acerto bilateral firmado em outubro, disse um diplomata russo.

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