Rússia cumpre contrato de fornecer 24 caças à Venezuela

Contrato é avaliado em cerca de US$ 1,5 bilhão; Moscou afirma que negocia com o Irã 100 aviões de passageiros

Agências internacionais,

03 de outubro de 2008 | 15h01

A Rússia cumpriu o contrato para fornecer à Venezuela 24 caças polivalentes Su-24MK2, informou nesta sexta-feira, 3, o presidente da Corporação Aeronáutica Unida estatal russa, Alexei Fiodorov.   Veja também: Especial: Depois da Guerra Fria  Ex-ministro da Defesa que rompeu com Chávez é preso   "Cumprimos nosso acordo sobre o fornecimento de caças à Venezuela", disse Fiódorov sobre o contrato assinado por Moscou e Caracas em julho de 2006 e avaliado extra-oficialmente em cerca de US$ 1,5 bilhão, segundo a agência Interfax. Fiodorov disse ainda que no restante do ano a Rússia entregará o primeiro dos 16 caças Mig-29MK (14 de combate e dois de treino) adquiridos pela Índia, e afirmou que Nova Délhi pretende aproveitar uma opção de compra de outros 30 aparelhos.   O funcionário assegurou que a Rússia participará de uma licitação para a venda à Índia de outros 126 caças polivalentes, na qual competirá com companhias ocidentais como Boeing, Lockheed, EADS e Saab. No âmbito civil, Fiodorov disse que a Corporação Aeronáutica Unida negocia um contrato para vender ao Irã 100 aviões de passageiros Tu-204, além de possuir vários projetos conjuntos com a China e de cooperar com a EADS no programa de fabricação do modelo A-350XWB.   Nos últimos três anos, a compra de arsenal militar do governo venezuelano de países como Rússia, Bielo-Rússia, China e Espanha já superaram US$ 6,700 bilhões, segundo informações na edição de terça-feira do jornal El País. A Venezuela é o principal cliente da indústria bélica russa na América Latina e, desde 2005, assinou com Moscou 12 contratos de compra de armas estimados em US$ 4,4 bilhões.   A Bielo-Rússia ocupa o segundo lugar entre os fornecedores de Chávez, com gastos venezuelanos de US$ 1 bilhão em sistemas eletrônicos para defesa aérea e o treinamento de oficiais. A China também vendeu dez radares de longo alcance, avaliados em US$ 350 milhões. Em 2007, o governo espanhol anunciou que vendeu para a Venezuela cerca de US$ 6 milhões em bombas e veículos militares e cerca de US$ 2 milhões em material de uso civil com aplicações militares.   O veto dos EUA, que proíbe a venda de armas ou peças militares americanas al governo venezuelano, aprovado em maio de 2001, emperrou os negócios futuros com a Espanha e a Suécia, que até então também fornecia equipamento bélico. Chávez ainda proibiu a compra de armamento dos EUA, começando toda essa verborragia contra os EUA, que agora pressionam outros países aliados para não vender armas aos venezuelanos, aponta o jornal. O governo americano ainda pressionou Colômbia, Brasil, França, Holanda e Reino Unido, que possuem interesses geopolíticos nos arredores de Caracas. Essa situação teria fechado os mercados.   A Rússia é o único país que parece estar disposto a vender armas para Chávez. Em 26 de setembro, a China negou qualquer informação de que existissem acordos de cooperação militar com a Venezuela, um dia depois do presidente venezuelano anunciar que compraria 24 aviões de Pequim. A dependência de um único fornecedor traria graves conseqüências. Isso pode tornar o país vulnerável quando Moscou não quiser mais reabastecer Caracas.   Os vínculos entre Rússia e Venezuela foram estreitados no início do mês, quando os dois países anunciaram exercícios militares conjuntos no Caribe em novembro. A ação marca a retomada da presença militar da Rússia na região pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria. A medida foi anunciada em resposta ao crescente número de navios de guerra da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Mar Negro após o conflito entre Rússia e Geórgia, em agosto.   Chávez confirmou que a Rússia vai ajudar a Venezuela a desenvolver um programa de energia nuclear. O acordo pode aumentar a preocupação dos Estados Unidos sobre a colaboração cada vez mais próxima entre os dois países. Chávez disse que aceitou a oferta do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, para receber assistência na construção de um reator atômico na Venezuela. Segundo Chávez, os EUA e a União Européia não têm o direito de proibir os países em desenvolvimento de buscar tecnologia nuclear. Ele defende o programa iraniano de enriquecimento de urânio e já afirmou que gostaria de trabalhar com Teerã em projetos de pesquisa sobre energia nuclear. Antes de aceitar a oferta russa, Chávez havia expressado interesse em adquirir um reator nuclear da Argentina.   Na semana passada, Putin disse que Moscou estava disposto a cooperar com Caracas no desenvolvimento de energia nuclear, sem dar detalhes sobre como seria a parceria com o país latino-americano.

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