Sabotadores de oleoduto mexicano têm briga pessoal com governo

Os rebeldes esquerdistasresponsáveis pelas explosões em oleodutos na semana passada noMéxico pertencem a uma pequena guerrilha mantida por laçosfamiliares e que mantêm antigas diferenças pessoais e políticascontra o governo. O Exército Popular Revolucionário (EPR) explodiu oleodutosna segunda-feira, em seu maior ataque contra alvos econômicosdesde seu surgimento, em aldeias montanhosas do sul do México,em meados da década de 1990. Na época, a guerrilha matoudezenas de policiais. Tiburcio Cruz Sánchez, conhecido como "El Profesor", éapontado pelo Exército como líder do EPR. Ele vem de umafamília de guerrilheiros do Estado de Oaxaca (sul) que estáativa desde a década de 1970. Dois de seus filhos estão presos por colocarem bombas embancos. Ativistas de direitos humanos dizem que eles sãoinocentes, mas foram presos como forma de pressão contra o"Professor" e sua esposa, que vem de outra pequena dinastiarebelde. Estima-se que o EPR tenha menos de mil integrantes. Emjulho, o grupo iniciou uma campanha de sabotagens, comexplosões em instalações energéticas, e repetiu os ataquesnesta semana em maior escala, provocando prejuízos de centenasde milhões de dólares para a estatal Pemex e para milhares deempresas. A principal exigência imediata dessa guerrilha marxista é alibertação de dois rebeldes supostamente presos nas ruas deOaxaca em maio. Um deles, Gabriel Cruz, é irmão do "Professor"e viveu escondido e sob codinomes durante 25 anos. O governo nega que os dois guerrilheiros estejam sob suacustódia e especula que eles teriam sido mortos em uma disputaentre líderes rebeldes, muitos dos quais procedem de trêsnúcleos familiares que há décadas mantêm guerrilhas no sul doMéxico. A desaparição da dupla evocou lembranças da "guerra suja"mexicana da década de 1970, quando centenas de pessoassuspeitas de ligação com rebeldes "desapareceram" nas mãos doExército. Os ataques desta semana paralisaram o fornecimento de gásnatural no país e interromperam a maior parte da produção desiderúrgicas e indústrias como a Volkswagen. O EPR, que defende o socialismo e a reforma agrária, passouanos à sombra, depois de conflitos internos e de uma repressãomilitar que desestabilizou o grupo. "Eles estão atingindo o sistema onde lhe dói", disse CarlosMendoza, que fez um filme sobre o grupo. "Estão passando umrecado de que eles têm mais capacidade do que durante muitotempo se lhes atribuiu." Alguns especialistas dizem que a violência dos últimosatentados pode ser um sinal de que o EPR tem novos líderes oufabricantes de bombas.

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