Sabotagem paralisa fluxo de gás no México

Exército Revolucionário do Povo assumiu autoria de ataque, que fez 21 mil deslocados

Efe e Associated Press,

10 de setembro de 2007 | 20h32

Gasodutos da estatal mexicana Pemex (Petróleos Mexicanos) foram alvo nesta segunda-feira, 10, de atentados com explosivos que não deixaram vítimas, mas que obrigaram a retirada de mais de 21 mil pessoas e a ativação de um plano emergencial de abastecimento. O Exército Revolucionário do Povo, um obscuro grupo rebelde mexicano, assumiu a responsabilidade pelas explosões, que atingiram vários de gasodutos e causaram grandes incêndios. O ataque acontece dois meses após outras ações similares contra a companhia perpetradas pelo grupo esquerdista. Segundo os guerrilheiros, os ataques são parte de uma "prolongada guerra do povo" contra "o governo anti-povo". Os ataques tiveram reflexo imediato nos mercados financeiros dos Estados Unidos e México, uma vez que a ação teria custado centenas de milhões de dólares em prejuízo para a estatal e empresas que dependem do gás para funcionar. Em comunicado, o governo mexicano condenou os atentados, e disse que "atuará com toda energia para encontrar os responsáveis". Além disso, as autoridades garantiram que as "instalações fundamentais" da Pemex no país são "devidamente" protegidas por militares. As explosões foram registradas de madrugada em diferentes pontos do estado de Veracruz, no Golfo do México. As seis explosões afetaram cerca de uma dúzia de gasodutos e um oleoduto na região costeira. Os alvos foram as válvulas nas intersecções entre os condutores de combustível.  Fornecimento afetado A Pemex informou que será possível manter o fornecimento de gás liquefeito doméstico e de gasolina nas zonas afetadas por meio de "medidas extraordinárias", embora tenha reconhecido que o abastecimento de gás natural tenha sido a atividade mais afetada. Isso porque as linhas afetadas tiveram de ser imediatamente fechadas, assim como outras linhas próximas, como medida preventiva. Segundo um porta-voz da empresa, cerca de nove estados, além da Cidade do México, serão afetados. "Foi uma grande explosão. Você não pode armazenar gás natural ou transportá-lo de trem." A empresa disse em comunicado que, assim que o fogo for apagado por completo, trabalhará "imediatamente no restabelecimento" do fornecimento do produto. Membros da companhia, da Defesa Civil estatal e outros corpos de emergência municipais mantêm o fogo sob controle. A previsão é que o incêndio continue durante várias horas até que o gás remanescente nos dutos seja totalmente consumido. Deslocados Por causa disso, as autoridades tiveram que deslocar 21 mil pessoas, principalmente nos municípios de Cempoala, Omealca, Nogales, Actopan, Minatitlán e La Antígua.  Em Omealca, duas mulheres de 75 e 77 anos morreram por causa de ataques aparentemente causados pelo susto produzido pelas explosões ocorridas perto de suas casas. Passam por Veracruz 2.470 quilômetros de dutos da Pemex que atravessam 140 municípios. O estado ocupa o primeiro lugar nacional em número de postos clandestinos de combustível. Outro incidente No início de julho, o Exército Popular Revolucionário (EPR), um agrupamento guerrilheiro surgido em 1996 no estado de Oaxaca (sul), reivindicou a autoria de explosões em outros dutos da Pemex na região central do México. As explosões em Oaxaca causaram graves problemas a cerca de mil companhias localizadas na região devido à interrupção no fornecimento de gás. À época, o EPR exigiu a libertação de seus companheiros Raymundo Rivera Bravo (ou Gabriel Alberto Cruz Sánchez) e Edmundo Reyes Amaya, que foram supostamente presos e "desapareceram" em 25 de maio na cidade de Oaxaca, capital daquele estado. As autoridades mexicanas, no entanto, negam que os dois homens estejam em seu poder.  A organização guerrilheira também atacou este ano uma prisão em construção no estado de Chiapas (sul) e disse ter sido responsável pela explosão de uma bomba de fabricação caseira em um centro comercial em Oaxaca.

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