Saída de Fidel abrirá mais áreas da economia da Ilha, diz Dirceu

Ex-ministro de Lula, que morou em Cuba, acredita que Fidel continuará exercendo sua liderança no país

20 de fevereiro de 2008 | 14h29

O ex-ministro-chefe da casa Civil José Dirceu afirmou nesta quarta-feira, 20, em entrevista à rádio Eldorado, que a renúncia de Fidel Castro do poder em Cuba abrirá áreas da economia na Ilha que antes não estavam abertas ao capital estrangeiro. Ele diz que o país se apóia basicamente no turismo e exportação de serviços médicos, mas é rico em minerais como o níquel e o calcário.  Veja também:Ouça a entrevista de Dirceu A trajetória de Fidel Castro  Após 49 anos no poder, Fidel Castro renuncia à PresidênciaFidel Castro: herói ou vilão?  Embargo dos EUA a Cuba continua sem Fidel Raúl Castro torna-se guardião da revolução Artigo publicado no Granma (em português) "Cuba tem uma das maiores reservas de calcário das Américas. Pode ser um grande exportador de cimento. O problema é que isso exige muita energia", avaliou. Mas a questão energética, segundo Dirceu, melhorou muito com o apoio da Venezuela na reestruturação do setor.  Dirceu diz ainda que Raúl Castro, irmão do líder cubano, assumirá oficialmente o comando da Ilha neste domingo, quando se reúne a Assembléia Nacional. Mas conclui que Fidel continuará exercendo sua liderança no país. "É uma nova realidade que deveria vir acompanhada de uma distensão por parte dos EUA. E tudo indica que isso não acontecerá, o que é muito ruim", lamenta. Os Estados Unidos mantêm bloqueio contra o país de Fidel desde 1961.  Na última terça-feira, em seu blog, Dirceu afirmou que leu emocionado a notícia de que Fidel Castro renunciara ao cargo de presidente do Conselho de Estado e comandante-em-chefe de Cuba. "Minha gratidão a Fidel e ao povo de Cuba não tem limites. A solidariedade e apoio que nos deram nos mais difíceis momentos de nossas vidas, quando até mantermos a vida era um risco, são inesquecíveis", escreveu Dirceu.  Dirceu lembrou que ao ler a mensagem publicada pelo jornal oficial do Partido Comunista Cubano, o Granma, sentiu a mesma emoção de quando conheceu o líder comunista, em 1969, ao desembarcar em Havana com um grupo de presos políticos trocados pelo embaixador americano no Brasil, Charles Elbrick. "Eu tinha 23 anos, ele (Fidel), 43 e a Revolução Cubana, dez", rememorou Dirceu.  Durante o exílio trabalhou, recebeu treinamento militar, estudou na ilha e lá fez uma cirurgia plástica para alterar sua aparência. Em 1975, retornou ao Brasil, com o nome falso de "Carlos Henrique Gouveia de Mello". Casou-se e passou a viver no Paraná, em total segredo, até mesmo sua esposa não conhecia seu passado nem sua verdadeira identidade. Em 1979, retornou a Cuba. Dirceu volta ao Brasil, desta vez definitivamente, em 1980, com a anistia política.  (Com Reuters)

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