Salvadorenhos protestam contra usina de biocombustíveis

Usina será financiada pelo Brasil; vendedores são contra uso de milho e cana para produção de combustível

Efe,

26 de fevereiro de 2010 | 19h29

Um grupo de vendedores salvadorenhos protestou nesta sexta-feira, 26, contra a possível instalação de uma usina de biocombustíveis em El Salvador com apoio brasileiro, durante a visita ao país do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

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Dezenas de manifestantes percorreram várias ruas do centro da capital gritando palavras de ordem contra a eventual obra e se concentraram pacificamente na emblemática praça do Salvador do Mundo.

 

"Decidimos fazer esta ação de protesto no marco da assinatura de cinco convênios por parte do Governo do Brasil e do Governo de El Salvador (...) com o objetivo de dizer não à instalação de uma fábrica processadora de biocombustíveis", declarou a jornalistas Rodolfo Pereira, porta-voz dos manifestantes.

 

Pereira, da Associação Nacional de Trabalhadores Independentes, assegurou que se opõem a que se use o grão de milho e a cana-de-açúcar para a produção de biocombustíveis, ao advertir sobre o efeito que poderia ter para o abastecimento de alimentos no mercado local e sobre as terras cultiváveis.

 

"Se o Brasil tem (uma extensão de) 8,5 milhões de quilômetros (e) El Salvador tem 21 mil quilômetros quadrados, por que então, se há uma boa vontade, não se contratou nossa mão-de-obra em matéria agrícola e camponesa para que se produza lá?", questionou.

 

Os manifestantes levavam cartazes nas quais se liam, entre outras mensagens: "Nosso milho não está à venda" ou "Por nossa soberania, não à fábrica processadora de biodiesel", que aparentemente pode chegar a ser instalada no oriente do país.

 

O presidente Lula chegou na noite da quinta-feira a El Salvador, em uma visita oficial dentro de sua viagem por vários países da América, para estreitar os laços com o governo de Mauricio Funes.

 

Os governos de El Salvador e Brasil assinaram nesta sexta acordos de cooperação nas áreas de saúde e agrícola, entre outros.

 

Fontes do Ministério da Agricultura e Pecuária informaram à Agência Efe que um dos convênios prevê um sistema de crédito e seguro agrícola, assistência técnica, fortalecimento institucional e uma política para o fomento da agricultura familiar. O tema dos biocombustíveis não foi abordado, no entanto.

 

El Salvador faz parte de um plano de desenvolvimento de biocombustíveis financiado pelos Estados Unidos e o Brasil. Contudo, só foram feitos dois estudos sobre o tema, com financiamento do Banco Interamericano d Desenvolvimento (BID).

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