Sandinistas negam anulação de decreto que prolonga mandato de juízes

Deputados da oposição se reuniram em hotel para anular decreto de Daniel Ortega

23 de abril de 2010 | 18h00

Simpatizante do movimento sandinista lança morteiro em frente à Assembleia na terça

 

Reuters

 

MANÁGUA- O presidente da Assembleia Nacional da Nicarágua, René Nuñez, desconheceu nesta sexta-feira, 23, a resolução com a qual deputados oposicionistas tentavam anular um decreto do presidente Daniel Ortega que prorroga o mandato de dois juízes da Corte Suprema de Justiça (CSJ).

 

Veja também:

linkAliados de Ortega cercam Congresso

 

"A Frente Sandinista nunca aceitou como legal a reunião do Holiday Inn", disse Núñez ao canal 12, referindo-se ao encontro realizado na terça-feira em um hotel pela oposição no qual se supõe que 48 deputados aprovaram a resolução que anula o decreto de Ortega.

 

Enquanto isso, o Departamento de Estado norte-americano condenou o assédio de grupos governistas à Assembleia Nacional porque ele "debilita o funcionamento de instituições que são vitais para a democracia nicaraguense".

 

A sessão legislativa foi realizada em um hotel porque uma turba de simpatizantes do partido governista Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN) bloqueou o ingresso à sede do poder legislativo, no dia seguinte perseguiu políticos e jornalistas, destruiu veículos a atacou com pedras e morteiros a sede de um partido de oposição. Na quinta, os manifestantes se reuniram novamente em frente a Assembleia Nacional e quebraram algumas janelas do edifício.

 

Os partidários do governo tentavam impedir que a oposição anulasse o decreto presidencial que mantém em seu cargo dois magistrados afins do sandinismo e cuja permanência - assim como a de outros funcionários cujos mandatos estão para vencer - seriam cruciais se Ortega decidir postular para um segundo mandato consecutivo.

 

Núñez afirmou que a reunião do hotel foi inválida, rechaçando um suposto acordo de aceitá-la se em troca as sessões ordinárias fossem retomadas para aprovar vários empréstimos ao país, como sucedeu na quinta.

 

"não teve compromisso. O que fizemos foi apelar a seu espírito patriótico para que viessem trabalhar, atuaram com responsabilidade, com garantia da polícia", disse o presidente da Assembleia.

 

Núñez alegou que a Corte Suprema de Justiça declarou válido o decreto presidencial com base na Constituição, enquanto a oposição considera que o pronunciamento dos juízes não é válido porque foi adotado de magistrados sandinistas cujos mandatos já venceu.

 

O deputado sandinista classificou as violentas manifestações dos últimos três dias como uma demonstração "da ira do povo".

 

O vice-presidente da Nicarágua, Jaime Morales Carazo, disse que os grupos de manifestantes são "valentões que andam empurrados por alguns que querem levar água a seu moinho ou estão atuando como assassinos".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.