Santa Cruz aprova estatuto autônomo contra Evo Morales

Departamentos opositores ao governo boliviano prometem novo regime político desvinculado do presidente

Agências internacionais,

13 de dezembro de 2007 | 09h18

A Assembléia Provisória de Santa Cruz aprovou na noite de quarta-feira, 12, o estatuto que garante autonomia ao Departamento e determinou que, para que o documento entre em vigência, ele deve passar por mecanismos legais e legítimos. Segundo o jornal boliviano La Razón, as regiões opositoras de Tarija, Beni e Pando devem aprovar um regime semelhante entre esta quinta-feira, 13, e sábado.   Seu texto será apresentado ao povo num grande comício no sábado. Se a população o aclamar - e na região não há dúvidas quanto a isso -, ele entrará em vigor no mesmo dia. A medida é espécie de Constituição regional, com a qual pretendem marcar sua independência do governo de Evo Morales em importantes questões administrativas e tributárias.   No palácio do governo, o presidente Evo Morales convocou mais uma vez os governadores das regiões opositoras para o diálogo, acusando-os de "operar de maneira camuflada para separar a Bolívia".   A rapidez com que o estatuto tramitou na Assembléia Autonômica foi uma reação à nova Carta, que a oposição considera ilegítima e centralizadora. O problema, dizem os líderes das regiões opositoras, é que, apesar de reconhecer as autonomias departamentais, ela não é específica nesse tema e as coloca no mesmo patamar de outros três níveis de autonomia: a municipal, a regional e a indígena.   "Colocamos esperanças que a Constituinte cumpriria com a vontade soberana de Santa Cruz. Acreditamos que o presidente Evo teria um verdadeiro compromisso com a democracia e a mudança; não foi assim", disse Rubén Costas, governador de Santa Cruz.   O comandante da polícia Miguel Vásquez confirmou o envio de reforços policiais para a região. "Estamos vendo a garantia da segurança dos bens e da população da cidade de Santa Cruz". Segundo o porta-voz do governo Álex Contreras, "foram mobilizados efetivos policiais para guardar os bens públicos e privados para evitar que no sábado se cometam atropelos e excessos".   Concentrando 35% do PIB boliviano, o Departamento de Santa Cruz é o mais forte centro de oposição ao presidente Evo Morales. Juntamente com Beni, Pando e Tarija, ele forma a chamada meia-lua, que há algum tempo vem demandando autonomia para ter maior controle sobre seus recursos. Recentemente, os Departamentos de Chuquisaca e Cochabamba engrossaram o coro anti-Evo.   Segundo o presidente, a autonomia só para departamentos visa a proteger latifúndios adquiridos de forma ilegal, principalmente em Santa Cruz. Os governadores rebeldes anunciaram que vão pôr os processos de autonomia em vigor por conta própria, sem passar pela Corte Eleitoral.   (com Ruth Costas, de O Estado de S. Paulo)

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