Santa Cruz exige libertação do governador boliviano de Pando

Fernández foi preso por militares acusado de ordenar assassinatos; oposição e Evo Morales seguem negociando

Agências internacionais,

16 de setembro de 2008 | 16h27

O diretório do Comitê Cívico do Departamento (Estado) boliviano de Santa Cruz exigiu nesta terça-feira, 16, a libertação do governador de Pando, preso por militares sob acusação de não respeitar o estado de sítio decretado em sua região, anunciou o presidente da organização, Branko Marinkovic, segundo a agência France Presse.   Veja também: Militares assumem controle de Cobija Bolívia pode fechar acordo com oposição Opositores acusam Chávez de controlar Evo Bolívia tem histórico de golpes e crises   Entenda os protestos da oposição na Bolívia  Entenda o que é a Unasul Enviada do 'Estado' mostra fim dos bloqueios Imagens das manifestações     "Exigimos a libertação imediata do governador Leopoldo Fernández e que o MAS [Movimento ao Socialismo, partido oficial] liberte todos os presos políticos que foram detidos no estado de sítio de Pando", declarou Marinkovic em coletiva de imprensa.   Fernández foi detido nesta terça, acusado de ter ordenado o assassinato de diversos camponeses durante os confrontos na semana passada entre as facções em favor e contrárias ao governo do presidente Evo Morales. Pelo menos 15 pessoas morreram em Pando. A prisão foi feita no mesmo dia em que governo e oposição esperam chegar a um acordo para encerrar a crise política que atinge o país.    A resolução lida por ele ainda exige "uma investigação imparcial, permitindo que a imprensa e os organismos internacionais ingressem nos lugares dos conflitos."   O Comitê Cívico de Santa Cruz também pediu a Evo que "suspenda a estratégia de provocar violência". "Declaramos que qualquer ato violento será de total responsabilidade do MAS, de seus dirigentes e do governo nacional, que é quem controla os militantes", acrescentou.   O governo e os representantes dos governadores opositores se reúnem nesta terça pela terceira vez para realizarem uma negociação que permita acabar com a onda de protestos. Deve ser anunciado nas próximas horas um pré-acordo para fixar as condições de diálogo que deve ser realizado entre as partes. Em uma entrevista coletiva, Evo afirmou que espera conseguir o acordo ainda no fim desta terça.   "Tenham certeza de que vamos garantir autonomias departamentais e regionais", acrescentou Evo, referindo-se à principal exigência dos governadores dos Estados opositores, com quem o governo negocia desde a semana passada as bases de um diálogo nacional.   As conversas de Evo com a oposição excluem o governador de Pando. A Procuradoria-Geral denunciou Fernández por crime de "genocídio na forma de massacre sangrento."   Pando, junto com os Estados de Beni, Tarija e Santa Cruz, encabeça há três semanas uma violenta onda de protestos contra o plano do presidente Evo de consultar a população sobre uma nova Constituição de cunho socialista e indigenista.   As mortes em Pando foram os acontecimentos mais sangrentos desta onda de violência e são o motivo do Estado de sítio no Estado. O Exército já deteve vários dirigentes opositores pelas mortes dos camponeses.

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